Quero uma Ecografia por dia!

          

           A ecografia, ou ultrassonografia é o momento de ouro do pré natal. Muitas pacientes escolhem seu médico embasadas no fato dele ter aparelho de eco no consultório. Isso não é errado, mas não pode ser o ponto mais importante da escolha. A ecografia é uma das formas de avaliação do bem estar materno e fetal, mas precisa ser complementada e não há necessidade de ecografia diária, semanal e, às vezes, nem mensal. Embora isso seja bem atraente.

               Não pensem que um bom pré natal é medido pela quantidade de ecos, muito menos pela tal da 3D. Eu entendo que as gestantes ficam ansiosas querendo ver se o bebê está bem, especialmente enquanto ela não percebe movimentação fetal. Depois as coisas ficam mais tranquilas. Porém, fazer ecografia todas as semanas, em gestação de risco habitual (baixo risco) não altera o desfecho da gestação, ou seja, não garante que vai dar tudo certo.

              Em geral, se fizermos 3 ecografias obstétricas durante a gestação, uma em cada trimestre e, se possível, uma ecocardiografia fetal, estamos com um pré natal bem servido de exames.

         No 1º trimestre ocorre a implantação e a formação inicial do bebê. Uma das primeiras ecografias - ECOGRAFIA MORFOLÓGICA DO PRIMEIRO TRIMESTRE - é realizada entre 11 e 13 semanas e já podemos ter uma idéia de como ele está se desenvolvendo. Neste momento também é possível calcular o risco deste bebê ter alguma síndrome associada à idade materna. Algumas vezes, nesta ecografia, já se descobre o sexo do bebê.

           No 2º trimestre continua a formação, agora de maneira mais minuciosa. Então, entre 20 e 24 semanas, está indicada uma ECOGRAFIA MORFOLÓGICA (idealmente com 22 semanas) que dará uma descrição detalhada de todo o desenvolvimento da anatomia do bebê. Além disso, teremos a certeza do sexo.

             No 3º trimestre o bebê acaba “ganhando corpo”, ou seja, já está todo formado, agora precisa crescer e ganhar peso. As ecografias desse trimestre acompanham, basicamente, este ganho de peso, desenvolvimento placentário e quantidade de líquido amniótico.

             Lógico, a maioria das pacientes faz muito mais de 3 ecografias durante a gestação, o que não está errado, mas não é necessário naquelas gestações de risco habitual (baixo risco). Falaremos um pouco mais sobre a gestação e seus riscos nos próximos posts.

          A maioria dos planos de saúde cobre todas as ecografias, mas tem um número limitado delas em gestações de baixo risco (não dá pra fazer exame toda semana). Quando você faz pré natal pelo SUS, é um pouco mais complicado o acesso às ecos. Até porque o sistema disponibiliza somente ecografia obstétrica em gestações de risco habitual, a morfológica de primeiro e segundo trimestres não são liberadas de rotina, bem como a ecocardio fetal.

          Quando possível, se você faz pré natal pelo SUS, guarde um dinheiro para as ecografias, não só para descobrir o sexo, mas para avaliar se está tudo bem. Uma ecografia morfológica realizada em um bom serviço é extremamente importante, vale cada centavo investido. Ao invés de gastar tudo nas fotos mensais, reserve um dinheiro para este exame, às vezes uma gestação saudável depende dele.

             Muito importante, sempre que houver dúvida depois de uma ecografia, discuta o resultado com seu médico assistente ou, na impossibilidade de falar com ele, procure uma emergência obstétrica. Às vezes o laudo não é tão claro e pequenas mudanças nos parâmetro de um exame para outro podem não fazer diferença para nós obstetras, mas tiram o sono das mamães e papais.

              Quem fez minha primeira ecografia foi a Dra. Patrícia Dürks, com 7s3s. Foi bom começarmos tão cedo, pois meus ciclos não eram regulares e foi possível datar a gestação com um exame bem precoce. Com exceção da última eco, foi ela quem fez todas as outras. De certa forma, acho isso importante, pois os mesmos olhos acompanharam o desenvolvimento do bebê desde o início. Aliás, depois da minha família, ela foi a primeira pessoa a saber que eu estava grávida. Juntamente com meu obstetra, ela acompanhou e cuidou de mim e da Alice desde o início. Foram 41 semanas bem intensas… obrigada amiga pela paciência, pelo carinho e também por contribuir com este post.

 

     

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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