1° trimestre - Como saber se está tudo bem?

    A resposta para esta pergunta é muito simples, embora não muito justa. Você simplesmente acredita. Dentre os muitos sentimentos que aparecem com a descoberta da gestação, angústia é uma sensação comum entre todas as gestantes, especialmente as de primeira viagem. É difícil lidar com o fato de que estamos grávidas, a ecografia mostra aquele serzinho mexendo muito lá dentro, o coraçãozinho batendo a mil, mas não sentimos nada. É preciso ter fé e, lógico, observar alguns sinais e sintomas que o corpo vai dando e mostrando que está ou não tudo bem. Você não vai deixar passar um sangramento ou cólicas muito intensas, mas não vai comprar um ecógrafo, ou alugar um quartinho na clínica para ver o bebê todos os dias.

     Outro dia eu estava atendendo uma paciente com 7s, primeira consulta de pré natal, poucos sintomas, nada de enjoos, explicando que no primeiro trimestre os parefeitos eram maiores do que os “efeitos” de se estar grávida, que não sentíamos o bebê mexer ainda, mas isso não justificava ecografia diária e ela, muito calma, deu uma definição muito boa para a pergunta acima - esse trimestre é entregar a Deus e orar - e eu pensei, “tipo isso”.

  Como foi dito em posts anteriores, em gestações normais, sem nenhuma intercorrência, só precisaríamos de uma ecografia no primeiro trimestre. De preferência entre 12 e 13 semanas, para avaliar desenvolvimento e bem estar fetal e também fazer um rastreamento cromossômico. No entanto, isso gera uma uma ansiedade absurda em algumas gestantes. Na vida real, quando há possibilidade, são feitas, no mínimo, duas ecografias. Uma bem precoce, para datar gestação e essa entre 12 e 13 semanas.

        Esse medo é completamente aceitável. Como todo mundo sabe, no primeiro trimestre, os riscos de perda espontânea são grandes e, muitas vezes, as pacientes são assintomáticas. Ir para uma ecografia de rotina e o exame mostrar uma gestação interrompida é desconcertante. Mesmo já tendo visto isto acontecer inúmeras vezes, eu ainda sofro junto com as pacientes. É muito difícil.

      Toda gestante, eventualmente, tem cólica. O útero está crescendo, o corpo está mudando, mas precisamos estar atentas a intensidade e frequência que elas acontecem e sempre que ficarmos na dúvida, vale procurar uma emergência obstétrica. Nesta etapa, eventualmente podem acontecer sangramentos, sem maiores consequências, mas eles sempre precisam ser investigados, bem como cólicas muito intensas, vômitos incontroláveis, crises de enxaqueca ou sintomas de infecção urinária. Tirando tudo isso, precisamos acreditar que vai dar tudo certo, confiar nisso, tentar relaxar e curtir esse primeiro trimestre, cheio de novidades.

      Confesso que minha gestação foi muita tranquila, desde o início, em todos os sentidos. Descobri a gravidez muito cedo, fiz eco bem precoce, estava com peso saudável, exames em dia, fazendo exercício regular… tranquila. Mesmo sendo obstetra, nunca tive medo, sempre achei que daria tudo certo. Com certeza, minha mãe estava muito mais apreensiva do que eu. Ela estava comigo na eco das 9 semanas e isso aliviou um pouco a tensão, mas ficou calma, de fato, quanto fomos fazer a morfológica. Vovó precisou contar todos os dedinhos da Alice para ficar tranquila. Coitada da ecografista neste dia, precisou ver e rever tudo vários vezes para ela ficar feliz.

       Vocês devem estar se perguntando - mas quando vamos ficar tranquilas? Lamento, depois que você entra no barco da maternidade, tranquilidade não é exatamente um sentimento rotineiro (falaremos sobre isso nos próximos posts). Porém, a percepção dos movimentos fetais é um marco na vida da gestante e faz muita diferença. Em geral, mamães de primeira viagem se dão conta da movimentação fetal a partir das 20 semanas, embora os livros digam que com 18 você já consegue notar. Eu sempre explico que precisa ter uma percepção quase que perfeita do seu próprio corpo para que isso aconteça. Depois da 20ª semana fica bem mais fácil, o bebê já está maior e faz movimentos mais amplos. Além disso, nesta idade gestacional a paciente fica de fato grávida, a barriga cresce, de grávida, modelo melão, e tudo fica mais fácil.

         Claro, sempre tem aquela amiga da amiga da tia da prima que percebeu movimentação fetal com 14 semanas e fica indignada que você não sente nada. Impossível você perceber movimentação tão cedo, o bebê ainda é muito pequeno, talvez do tamanho de uma maçã. Deve ser gases. Outra coisa, todo mundo conhece alguém que já tem barriga de grávida desde as 8 semanas. Sinto muito decepcionar vocês, mas ainda não é pela gestação. Nesta idade gestacional o útero tem mais ou menos o tamanho de uma laranja, ainda está na pelve, não tem como fazer volume. Talvez você se sinta mais inchada, diferente, mas não é pelo volume uterino.

       Algumas pacientes gostariam de ter um sonar em casa, especialmente neste trimestre. Até podem comprar, mas só conseguimos ouvir, com mais facilidade, a partir das 12 semanas. Até então, por serem muito pequenos, fica muito difícil achar os batimentos do bebê. Exceto por ecografia.

      Agora, especialmente para as pacientes que já tiveram perdas de primeiro trimestre (até 13s). Vocês são um capítulo à parte no quesito angústia. Acredito que as coisas são mais difíceis até vocês passarem da idade gestacional na qual ocorreu a primeira perda. Mesmo assim, é importante ter muita paciência, lembrar que uma gestação é sempre diferente da outra. Vocês precisam tentar manter a calma. Até porque, mesmo fazendo uma ecografia por dia, não conseguimos garantir que dará tudo certo.

      Resumindo, tenham paciência. Não comprem um ecógrafo, ou um sonar, não precisa. Logo, logo o bebê mexe e “todos os seus problemas acabaram”. A maioria das gestações tem um final feliz, não foquem nos desfechos ruins, mesmo que já tenham alguma experiência mal sucedida anterior. Mães são, por natureza, preocupadas. Seremos assim para sempre. Precisamos tentar acreditar mais e curtir mais. Lembrem que gestar é incrível, até a parte dos efeitos colaterais tem seu valor. Curtir cada momento vale a pena e a expectativa é sempre boa. Além disso, sofrer por antecedência não muda os desfechos.

Compartilhe
Compartilhe
Curtir
Please reload

Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

Compartilhe:
  • Facebook Social Icon
  • Google+ Social Icon
  • Twitter Social Icon
  • Pinterest Social Icon
Mais lidos:

Movimentação Fetal!

16/09/2020

1/5
Please reload

Tags:
Please reload

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now