Os palpiteiros de plantão!

      Tão logo uma gestação é anunciada surge uma série de experts no assunto que sabem mais do que você, tem mais experiência que você e sentem-se no direito de dar palpite a todo momento, mesmo quando sua opinião não é, sequer, cogitada.

     Não pensem que comigo foi diferente. O fato de eu ser obstetra não constrangiu ninguém. Muito pelo contrário, minhas escolhas eram questionadas a todo momento e o fato de eu querer parto normal foi criticado até o dia da Alice nascer. Inclusive eu ouvi, mais de uma vez, a célebre frase: “você, médica obstetra, vai esperar até 41 semanas, colocando sua filha em risco?”

     Alice nunca esteve em risco, minha gestação foi super saudável, exceto a intercorrência da toxoplasmose que não contra indica de jeito nenhum o parto normal. Eu vivi 40s6d de uma gestação incrível, eu auxiliei uma cesárea com 40s4d, sem sentir nada, tranquila. Alice nasceu com uma saúde invejável, APGAR 10-10.

      As pessoas precisam entender que a gestação não é um evento público, no qual todos podem participar, convidados ou não. A gestante tem o direito de fazer escolhas, de tomar decisões e de fazer as coisas do seu jeito, independente de entender do assunto ou não. Eu nunca tinha sido mãe, não sabia nada a respeito disso, mas eu tinha o direito de fazer as minhas escolhas e de arcar com as consequências que elas trariam.

       Principalmente agora, que as redes sociais possibilitam a disseminação muito rápida das informações, a gestante acaba sendo exposta muito cedo aos palpites, que nem sempre são úteis e, na maioria das vezes, atrapalham mais do que ajudam.

       Como eu já disse anteriormente, gestar nos deixa num estado de fragilidade emocional único. Ficamos suscetíveis a opiniões, facilmente somos influenciadas pelos palpites. Especialmente quando forem dados por pessoas do nosso convívio diário, ou então por pessoas “que entendem mais do que nós”.

       Eu nunca liguei muito para opiniões, nunca dei muito espaço para palpites e, quando eles me eram fornecidos de graça, sem eu pedir, eu executava meu direito de audição seletiva e só aproveitava aquilo que não me incomodava. Todas as gestantes podem e devem fazer isso. Inclusive eu digo que toda gestante tem o direito de culpar a bagunça hormonal da gestação por uma ou outra resposta mal educada que eventualmente elas queiram dar.

       Outra coisa que me incomodava um pouco era o desejo das pessoas de ver e tocar minha barriga. Como assim? Eu estou gestante, mas sigo uma mulher, não gosto que toquem no meu corpo. Sim, a barriga, mesmo grávida, segue fazendo parte do MEU CORPO, não se tornou pública. Muitas gestantes gostam de mostrar a barriga e não se importam que as pessoas toquem nela, mas isso não é regra. Perguntem antes de tocar, fica menos invasivo e muito menos constrangedor. Também não peçam fotos da barriga da gestante, se ela não está mostrando, talvez ela não queira mostrar.

      Diariamente eu ouço histórias de pacientes enfrentando batalhas diárias porque querem parto ou porque marcaram cesariana, porque estão amamentando no peito, ou então dando fórmula, porque seguem trabalhando, dirigindo, tendo uma vida normal, depois das 36 semanas, ou então porque resolveram voltar ao trabalho logo depois do parto e são desnaturadas.

       Não vou citar cada opinião desnecessária que eu ouço, mas vou dar um único exemplo, que eu acho um dos piores. Por favor, não digam para uma gestante que ela está gorda ou está magra, que ela tem uma barriga muito grande, ou muito pequena. A célebre frase “Cruzes, são gêmeos”... numa gestação única é de um mal gosto inadmissível.

      Por favor, julguem menos e cuidem mais das gestantes. Elas estão num momento tão especial da vida, com tantas expectativas, medos, ansiedades, não tornem as coisas ainda mais complexas. Gestar é bom, na imensa maioria das vezes dá certo. Evitem opiniões desnecessárias e sempre, SEMPRE, perguntem-se se suas opiniões ou questionamentos vão trazer algum benefício para a gestante. Lembrem-se que cada mamãe ou futura mamãe tem o direito de construir sua própria história, aprender com seus erros e acertos.

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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