A chegada da Alice!

       O post desta semana vai ser um pouco diferente. Há 2 anos eu e o Thiago embarcamos na viagem mais incrível e mais desafiadora das nossas vidas. Nunca imaginamos que uma pessoinha pudesse nos transformar de uma forma tão espetacular. Em homenagem ao aniversário da nossa pequena, que foi dia 30.08, o post de hoje conta como foi que ela decidiu nascer.

      Era um sábado a tarde - 29.08.2015 - fazia calor, um dia lindo. Estava tudo pronto, minha mãe aqui comigo, 40s5d de gestação, sentindo-me ótima, sem dor nenhuma. Eu fazia avaliação de 3/3 dias para confirmar que estava tudo bem e esse dia tínhamos uma avaliação (MAP - exame que marca batimentos cardíacos do bebê, sua movimentação e as contrações uterinas). Provavelmente a última do pré parto, pois até segunda a teimosinha teria que nascer.

       Chegamos ao Hospital no início da tarde, fui direto para o Centro Obstétrico (todo mundo alvoroçado apostando "no plantão de quem ela nasceria") colocaram o monitor - exame de livro - melhor impossível, Alice mexendo, tranquila. Já as contrações, nada. Depois do MAP meu médico me examinou e fez uma cara que, como obstetra, fiquei aliviada. Tipo assim "o colo era bom". Ele descolou as membranas e me mandou caminhar. Se nada acontecesse até o domingo, popular amanhã, induziríamos o parto.

        Voltamos pra casa e eu caminhei por 2h com minha mãe. Na volta as contrações já estavam começando. A noite fomos a um churrasco e às 22h eu quis voltar pra casa, estava com cólica, fraca, mas ritmada. Dormi até a 1h e aí a coisa apertou. Levantei, fiquei caminhando pela casa, tomei banho, fiz agachamentos... Às 4h resolvi ir pro hospital fazer uma avaliação. Dilatação de 4cm, bebê ainda alto. Voltamos pra casa e eu segui com os exercícios e o banho. Às 5:30 decidi ligar pro médico, que já estava acordado "se arrumando". A ida pro hospital foi hilária. Entre uma contração e outra eu ficava ótima, mas na hora da dor eu precisava me mexer, o que não era muito fácil dentro do carro.

            Entrei no Centro Obstétrico perto das 6h, andando de um lado pro outro e dizendo "estou em trabalho de parto, estou em trabalho de parto". Confesso que ser obstetra nessa hora é engraçado. Você sabe tudo que está acontecendo, mas não pode se meter na conduta, é só paciente. Logo meu médico e "minha fada madrinha do parto", chegaram. Eu estava com 7cm de dilatação, contrações regulares, tudo correndo muito bem.

          Como eu disse, além do meu marido, da equipe de enfermagem e do meu obstetra, eu tinha uma fada madrinha do parto, um anestesista demais e uma obstetra fotógrafa, que registrou tudo. Foram 5h de trabalho de parto, com direito a analgesia, ocitocina, massagens nas costas, exercícios na barra e na bola, música e o mais importante, tudo acontecendo como eu sempre sonhei, ou melhor.

         Alice chegou depois do Dr Jair (anestesista) dizer “Fefê, só mais uma forcinha e ela sai”... e ela saiu, às 11h19min do dia 30/08/2015, de parto normal, com meu marido do meu lado cortando o cordão e participando de tudo. Foi incrível. Sem dúvida a maior emoção da minha vida. Sim, quando ela nasceu eu disse “eu consegui”. Ela era toda rosada, bolota, linda e eu estava feliz, muito feliz. Ela chegou ao som de "Sugar - Marron Five - que eu amo e tocou várias vezes. (imaginam como foi estar o show deles em Porto Alegre, em março de 2016?)

         Minha recuperação foi super tranquila. Fui para o quarto umas 3 horas depois da Alice ter nascido, com ela, o Thiago e a minha mãe. Ela já estava mamando e eu não sentia quase nada de dor. Essa é uma das vantagens do parto normal, o pós parto, em geral, é mais fácil.

        Foi uma experiência indescritível. Eu não tinha um plano de parto, mas não foi preciso. Se eu tivesse escrito como eu queria que fosse talvez não tivesse sido tão perfeito. A viagem do trabalho de parto é algo que não tem como descrever, é preciso viver.

       Gestar é incrível, parir é incrível, mas gestar rodeada de pessoas que amamos, que nos dão suporte e ter um parto no Centro Obstétrico que eu escolhi, com as pessoas que trabalham comigo a vida toda e sempre me viram "do outro lado da cortina" foi demais. Nunca vou agradecer o suficiente por todo o carinho e dedicação, por todo o amor que eu e a Alice recebemos desde o dia que eu contei que estava grávida. Nunca mais eu precisei passar a paciente da maca para a cama, tinha direito a pausa para água e também para o xixi. Óbvio, elas também tinham liberdade para brigar comigo quando eu corria ou usava botas com salto muito alto. Intimidade é uma droga.

       Eu escolhi o obstetra perfeito, um profissional incrível, Dr Claudio Campello, que é tranquilo, atencioso, tem uma paciência invejável e respeitou todas as minhas escolhas, dando suporte e me aconselhando. Tive um pré natal, um parto e um pós parto muito bons. Além disso, ele me trouxe de brinde a Roseli, minha mãe de coração, que me ajudou a ter um trabalho de parto nem tão trabalhoso assim.

        Aposto que todo mundo está perguntando "E a dor?".... Sim, teve dor, e que dor. Não sei quantificar, mas doeu. Porém, as contrações vêm para avisar que um grande momento está chegando. Confesso que não me lembro da dor e não estou mentindo. Não fiquei traumatizada, passaria por outro trabalho de parto, com toda certeza, desde que fosse tudo igual. Ter o Claudio e a Roseli comigo foi especial, eles deram força não só pra mim, mas também para o Thiago. Sem contar minha mãe lá fora, muito mais tranquila. Por isso, não tenham medo do parto. Acreditem na força que existe em cada uma e não sofram por antecedência.

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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