Exame ginecológico na gestação, pode?

    A grande maioria das pacientes tem pavor de fazer exame ginecológico, fica desconfortável, não consegue relaxar… um estresse anual. Como eu sempre digo, sorte que, em geral, é só uma vez ao ano.

     O exame ginecológico, por si só, é invasivo, incomoda mesmo, às vezes constrange. Se prestarmos atenção, a maioria das mulheres têm um mesmo Ginecologista a vida toda. Isso tem muito a ver com confiança, mas o fato de “começar de novo”, com alguém diferente, também conta.

       Costumo conversar bastante com as pacientes, especialmente as novas, antes de partir para o exame propriamente dito. Também uso uma tática de conversar com elas o tempo todo durante o exame (tipo a chata papuda), para distrair. Costuma funcionar.

        No caso das gestantes, ainda têm o medo de que este exame possa acarretar algum prejuízo para a gestação. Especialmente se houver necessidade de coletar o preventivo (citopatológico) algumas pacientes são bem resistentes.

        Acontece que, para algumas mulheres, a consulta de pré natal é o único momento de visita regular ao ginecologista, ou seja, para mim, é o momento ideal para fazer a coleta. Do tipo “agora ou nunca”.

        Podemos e devemos seguir com as rotinas ginecológicas durante a gestação. Em geral eu acabo coletando o preventivo depois do primeiro trimestre, quando o medo das perdas espontâneas já não é mais tão presente. Porém, a coleta pode ser feita em qualquer momento da gestação, de preferência no primeiro ou segundo trimestres.

      Quando a coleta não pode ou não é feita no pré natal, é importante deixar uma data programada para fazê-la após o nascimento. A correria dos primeiro meses com o bebê algumas vezes atrasa o exames em vários meses, ou anos.

      Além do preventivo, algumas queixas comuns da gestação, como “corrimento”, perda de líquido e sangramentos exigem que o exame especular (com aquele aparelho que parece um bico de pato) seja feito. Só assim podemos avaliar se está queixa procede e se alguma medicação ou providência precisa ser tomada.

      O toque vaginal também é necessário e importantíssimo no pré natal, no trabalho de parto e puerpério. Ele também incomoda algumas pacientes. Salvo algumas situações que contra indicam o toque vaginal, em geral ele faz parte da consulta, mesmo depois do bebê nascer, especialmente em pacientes com parto normal.

      Eu costumo dizer que ele serve para me mostrar como a gestação está evoluindo. Através dele eu consigo avaliar o tamanho do colo, se tem alguma dilatação e a posição fetal. Alterações no toque vaginal, sempre relacionadas a idade gestacional, nos permitem saber se está tudo bem, se a paciente precisa de repouso ou, eventualmente, de internação hospitalar.

       Na consulta de revisão após um parto normal, o toque vaginal ajuda a avaliar a involução do útero, cicatrização de períneo, episiotomia (quando houver), bem como possibilita avaliar a musculatura da pelve e orientar exercícios que façam o fortalecimento desta parte.

     As rotinas de exame ginecológico na gestação dependem das rotinas prévias de cada paciente. Já o toque vaginal é uma rotina comum em gestantes, especialmente no terceiro trimestre. A frequência com que ele é feito depende das rotinas de cada obstetra e de como está transcorrendo a gestação.

       É importante entender que não existe outra forma de avaliar dilatação de colo sem ser pelo toque vaginal. Então, sempre que houver uma queixa de contração, cólica ou qualquer outro tipo de dor ou desconforto abdominal ou pélvico, será preciso um toque vaginal e, dependendo da queixa, de um exame especular. Avaliações na emergência em geral também incluem estes exames.

      Nesta mesma linha vem o medo de fazer ecografia transvaginal. Este exame é muito importante no primeiro trimestre. Ela serve para confirmar a idade gestacional. Esta ecografia pode e deve ser feita, sem prejuízo para a gestação. Eventualmente, em casos de suspeita ou risco elevado de trabalho de parto prematuro, outra ecografia transvaginal é feita por volta as 24 semanas para avaliar comprimento do colo.

      Sim, é um saco fazer exame ginecológico, é desconfortável, mas não deve ser dolorido. Quando a dor fica muito proeminente, devemos pensar em condições que possam estar causando este desconforto, ele não é normal. Tentem levar em conta que este exame e principalmente o toque vaginal, fazem parte de ma rotina muito importante para todas as mulheres, inclusive nas gestantes.

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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