O teste deu positivo, virei pai!

    Diariamente eu começo pré natais e, na maioria das vezes, a gestante vem acompanhada pelo esposo. Sempre bastante ansiosos, cheios de dúvidas, muito felizes... Depois que as “burocracias”, as dúvidas mais comuns e avaliação inicial são feitas eu pergunto, diretamente para o pai - “e você, como está?” - a resposta quase sempre é a mesma, em papais de primeira, segunda ou terceira viagem… “ confuso, não sei o que fazer”.

     Ser pai não é muito fácil, especialmente durante os 9 meses da gestação. Todo mundo te pergunta como vão as coisas, mas você não sabe. No entanto, todo mundo acha que você deveria saber. Deveria mesmo? Vamos falar um pouco sobre os pais, na gestação, no parto e pós parto.

       Vou começar descrevendo como as coisas aconteceram aqui em casa. Todo mundo deve achar que, por eu ser obstetra, tiramos tudo de letra e, especialmente, ser marido de obstetra facilitou as coisas. Não, de jeito nenhum. Começamos discordando, de cara, da via de parto. Foram algumas conversas, muito tempo juntos e muita observação do meu trabalho para que ele entendesse que era muito importante para mim tentar um parto normal. A partir disso ele comprou a ideia, COMPLETAMENTE, quase virou ativista.

      Depois de algum tempo descobrimos a gestação, eu virei mãe imediatamente, porque é assim na maioria das vezes, mas ele não sentia nada e eu também não, sem enjoos, sem sono, sem barriga… então, ele era pai mesmo? Sim e não. Eu acredito que o pai, torne-se pai de verdade, quando pega o bebê no colo pela primeira vez. Diz meu marido que é o momento do “click”, quando a ficha cai e você tem certeza que aquele pacotinho rosado, fofíssimo é todo teu.

      Calma, isso não quer dizer que o pai não seja importante na gestação, ele é, MUITO. Ele faz parte do processo, participa do pré natal, dá suporte emocional para a gestante, mas ele não sente nada, pelo menos não fisicamente, e isso faz uma grande diferença.

       Grande parte dos casais fazem o pré natal sempre juntos, pai e mãe. Alguns preferem ir só de vez em quando, ficam constrangidos com o exame de toque, não prestam atenção em nada… Meu marido foi a uma única consulta. Em geral eu sou bem prática, com tudo. Não achei necessário tirar ele do trabalho para me acompanhar, estava tudo bem.

      Porém, quando a coisa apertou e minha toxo foi positiva, foi ele que me fez forte. Sem o seu apoio eu teria desabado. As medicações me davam náuseas e eu tinha muito medo, de tudo… e ele estava sempre ali, morrendo de medo, mas firme, dizendo que ia dar tudo certo.

     Acredito que o papel do pai, na gestação, seja exatamente este, ajudar a gestante a ter confiança, tirar o medo, ser parceiro nas suas escolhas. Canso de ver pais que interferem nas decisões da gestante, metem-se em tudo, não respeitam a privacidade da paciente. Estes mais atrapalham do que ajudam.

       A participação do pai no parto, seja ele por via alta ou baixa, é fundamental. Não é a toa que hoje é lei ter um acompanhante no momento do parto. Ele faz toda a diferença, dá suporte emocional para a gestante, divide com ela este momento tão especial e consegue compartilhar com ela essa onda de emoções, hormônios e lágrimas que envolvem o nascimento de um filho.

     No dia do nascimento o papel do pai muda. Ele sai de uma situação de total coadjuvância para um protagonismo único. É dele a responsabilidade de pegar o bebê pela primeira vez, será ele que apresentará a criança para a família, “no vidro”. Nasce então uma história de amor, que era só uma sementinha e agora já começa a crescer...

     O meses que seguem a chegada do bebê também podem ser difíceis. É um período de adaptação à nova vida, agora com um bebê, que chora, mama e dorme e na imensa maioria das vezes precisa da mãe, que tem o leite, e não do pai.

      Minha filha teve um período longo de cólicas, chorava muito, dormia pouco, eu estava de licença, mas o meu marido não. O pouco tempo que ele passava com ela, em casa era só choro e um certo desespero por não saber o que fazer. Ele foi essencial, tinha mais paciência que eu em alguns momentos e conseguia manter a calma quando eu perdia. Isso durou uns 2 meses, depois ela começou a dormir melhor, as cólicas passaram e nossa vida mudou absurdamente.

      Até hoje, é da mãe que ela precisa mais, mas ela tem uma ligação com o pai que me deixa em paz quando preciso sair para trabalhar, ou simplesmente quero dormir mais um pouco. Eles jogam juntos, andam de skate, passeiam no shopping, comem sucrilhos, assistem desenhos… é um amor enorme, que só aumenta.

     Com o tempo, você começa a enxergar os trejeitos, as manias, as caretas do pai na criança e você percebe que aquele “click” do dia que ela nasceu virou um amor gigante, recíproco, lindo.

      Meu marido costuma dizer que o amor de mãe nasce e cresce com a barriga e o amor de pai é construído depois dela. Vendo a relação dos dois eu acredito que, conosco, tenha sido assim mesmo. Ele amou, curtiu, me deu suporte e esteve ao meu lado desde que descobrimos a gestação, mas ele virou pai, de fato, no dia que ela nasceu.

    Não tenham medo da gestação, não fiquem angustiados por não sentirem nada, não saberem o que fazer. A gestante precisa de cuidado, de carinho, de suporte. Vocês são o vínculo maior dela com a gestação. A parte técnica fica com o pré natalista, vocês cuidam do amor.

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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