As dores de se tornar Mãe!


O título do post é um pouco “assustador”, mas calma, não é essa minha intenção. Só quero tentar deixar as mamães mais tranquilas com relação a algumas coisinhas que acontecem durante os nove meses, apavoram um pouco, mas são “normais”. O que não quer dizer que vocês vão deixar de avisar o pré natalista ou de procurar uma emergência quando elas acontecerem.

Minha gestação foi muito “normal”. Como eu já disse anteriormente, quase não tive enjoos, nunca fui de dormir muito então a falta de sono não me abalou e minhas contrações só chegaram na véspera da Alice nascer. Lógico que minhas costas incomodaram um pouco, minha barriga pesou e meu corpo ficou “estranho” em determinado momento, mas tudo foi muito tranquilo.

Essa facilidade me deixou um pouco mais chata com relação a algumas queixas comuns de consultório, mas também me possibilitou explicar para as pacientes que algumas coisas são, de fato, normais, e precisam ser superadas.

Quando decidimos virar mãe ficamos cheias de medos, dúvidas, incertezas, todos tem trilhões de pitacos para dar, mas ninguém, nunca, nem as mais pessimistas, nos dizem que virar mãe também dói. Não é só a dor das contrações do parto propriamente dito, ou então de um pós operatório de cesariana. Alguns sintomas bem comuns, tipo cãibras, por exemplo, também incomodam bastante.

A gestação são 9 meses de uma mudança física e psicológica intensa, com o corpo mudando diariamente, ganhando peso, inchando, mudando ponto de equilíbrio... Não podemos ser ingênuas e acharmos que passaremos imunes por estas mudanças, que uma barriga enorme será acoplada e depois desacoplada sem deixar nenhuma marca, que nada vai mudar.

Talvez as costas paguem as contas pela barriga pender para frente e sejam as primeiras a sofrer os efeitos da gestação. Não tem como ser diferente. Precisamos fazer um reforço da musculatura, exercício físico ajuda muito, ou então a vida ficará bem complicada. Literalmente ficamos propensas a virar um “joão bobo” e precisamos forçar a coluna o tempo todo para não pendermos para frente.

Além disso, é muito difícil lembrar o tempo todo que existe um volume acoplado a você. Não esqueçam, ele sempre, EU DISSE SEMPRE, chega primeiro nos lugares. Um exemplo, depois de virar mãe eu entendo porque as gestante queimam a barriga no fogão, ou ficam encharcadas lavando uma louça.

Eu, que nunca tive muita noção de espaço, era a rainha de bater a barriga nas portas e paredes e de estacionar em vagas muito próximas dos outros carros ou de paredes e não conseguir sair do carro. Várias vezes eu estacionei e tentei sair, mas não deu, precisei procurar uma vaga com mais espaço. Aquele lance de sair do carro espremida, de ladinho, quando você está grávida não rola de jeito nenhum.

As pernas também sofrem. Salvo raríssimas exceções, em geral elas ficam inchadas, principalmente no final da gestação, mas algumas mulheres, mais propensas, incham já no primeiro trimestre ou início do segundo, especialmente se o calor for dos infernos. Isso leva a uma sensação de peso, cansaço e, às vezes, dor.

Precisamos aprender a levar a vida mais devagar, sentar de vez em quando, outras vezes levantar, calçar meias elásticas quando a coisa complicar muito, fazer exercício físico quando possível e ficar, literalmente, de pernas pro ar no final do dia. Muito importante, se você fizer uma viagem, mesmo que breve, tipo 2 ou 3 horas, que não te possibilite levantar, coloque meias elásticas. Os tornozelos agradecem. Drenagem linfática também está super indicada.

O inchaço também pode ser sinônimo de perder um pouco a sensibilidade das mãos, ter uma sensação de formigamento ou até deixar as coisas caírem. Isso também é culpa do edema articular, faz parte. Lógico, estes sintomas enquanto normais, são suportáveis, quando ficam graves precisamos procurar um médico. Não raro eu tenho pacientes com síndrome do túnel do carpo ou que desenvolvem uma tendinite durante a gestação e precisam de tratamento específico.

O hábito intestinal também pode ser bastante afetado pela gestação. Precisamos manter uma rotina de dieta balanceada, beber muita água e, se necessário, usar algumas fibras extras para dar conta do recado. Existem algumas medicações que ajudam com isso, sempre com orientação médica.

O sulfato ferroso, importante na gestação, pode levar a constipação. Por isso eu sempre tento adequar a dose da mediação as reais necessidades da paciente, sem usar uma dose rotineira. Assim tentamos evitar esta complicação.

Ai vocês vão me dizer: tá, eu tomo água, meu intestino funciona que é uma beleza, mas eu não saio do banheiro. Desculpa, ossos deste ofício. Imaginem que existe um útero espremendo sua bexiga, faz parte. Importantíssimo nestes casos sempre prestar atenção no xixi. Infecções urinárias são muito comuns na gestação e, algumas vezes, são assintomáticas. Fazemos exames de urina de rotina em cada um dos trimestres, mas, eventualmente, precisamos de uma coleta extra.

Existem alguns exercícios pélvicos que aliviam os sintomas de urgência miccional, diminuem as idas ao banheiro e ajudam com algumas possíveis perdas. Lembrando sempre que, incontinência urinária pode acontecer na gestação, ou então no pós parto, mas não é normal, tem tratamento e deve ser tratada. Converse com seu pré natalista sobre isso. Teremos um post só sobre isso.

Já escrevi horrores e ainda nem chegamos na azia. Também não tive isso, mas deve ser horrível. Algumas pacientes já experimentam este sintoma muito antes de perceberem movimentação fetal. Ainda bem que, para quase tudo tem um jeito. Vários antiácidos estão liberados para uso na gestação. Além disso, uma dieta balanceada, não deitar logo após comer e comer menos e mais vezes ao dia, aliviam bastante este sintoma. Também vale rezar para o bebê ser careca, pois piora muito a azia se ele for cabeludo (brincadeira, não tem nada a ver).

Enxaqueca, está aí uma das minhas maiores dificuldades com as gestantes. Quem tem dor de cabeça crônica responde muito mal as medicações liberadas para uso na gestação e tratar uma crise de enxaqueca pode virar uma guerra. Precisamos ter uma rotina de sono, descanso, exercícios físicos e alimentação bem regradas para tentar evitar as crises e, quando elas dão sinal, procurar logo uma emergência. Não deixem a dor chegar ao ápice, pois aí fica bem complicado. Importante, sempre prestem atenção às coisas que desencadeiam a dor, as vezes elas podem ser evitáveis.

Algumas pacientes também têm câimbras. Eu nunca na vida tive isso, mas na gestação, uma única vez, acordei no meio da noite com a sensação de que minha panturrilha estava dando um nó, bem apertado. Eu tive uma crise de riso, porque não conseguia me “defender” da câimbra e não tinha ideia do que fazer. Meu marido quase me matou, porque não entendia se eu estava com dor ou era piada. No final ele fez muita massagem, alongou bem e passou.

Independente de tudo isso que eu coloquei aqui. Vale a pena cada segundo, cada desconforto, cada parte chata da gestação. A parte boa compensa tudo. Gestar é incrível, ter um filho é ESPETACULAR.

Além disso, assim como eu, muitas pacientes passam imunes pela gestação e, salvo pela barriga gigante, nem se dão conta de estarem grávidas. Vivam e curtam cada momento da gestação. Todo mundo já deve ter ouvido uma grávida dizendo que sente falta de estar grávida, principalmente da barriga. Confesso que não sinto falta da minha, mas gestaria de novo, é incrível. Filhos mudam as nossas vidas, dão um novo sentido para os nossos dias.

Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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