Confiar é fundamental!

    A escolha do Pré Natalista se dá pelos mais variados motivos: é meu médico de muitos anos, fez o parto da minha família toda, minha amiga ganhou com ele e amou, é o médico da Unidade Básica próxima a minha casa, achei no livrinho do convênio, faz parto normal, só faz cesariana, não cobra disponibilidade, o preço do parto é mais acessível, atende no Hospital que eu gosto… Ok, tudo isso pode ser levado em conta, mas pra mim, o que de fato vai determinar se este será o médico que fará o acompanhamento, caso haja possibilidade de escolha, é a relação de confiança que se estabelece.

    Não importa o quanto você precise andar, quanto vai desembolsar para ser atendida por fulano ou beltrano, se precisará mudar de endereço para ser atendida em outra Unidade Básica. Quando você confia no pré natalista, qualquer esforço vale a pena. Penso eu que confiança e respeito são fundamentais num acompanhamento de pré natal.

    Acredito que o que norteia uma relação médico-paciente é a confiança que um tem no outro. Na obstetrícia talvez isso precise ser mais presente, pois você está confiando naquela pessoa para trazer ao mundo o seu filho. Independente de ser o primeiro, segundo ou terceiro, este momento é sempre único e precisa de atenção e cuidado.

    A escolha do meu Obstetra foi baseada na admiração que eu tenho por ele, em anos observando seu trabalho, no respeito que eu tenho por ele, mas acima de tudo porque eu confiava e confio 100% no trabalho dele. Eu tinha certeza que as decisões que ele tomasse seriam sempre as mais acertadas. No meu caso, como eu queria - MUITO - um parto normal, eu sabia que ele não forçaria a barra para fazer uma cesariana, caso não fosse necessário.

  Confiança é fundamental em qualquer tipo de relacionamento, seja ele pessoal, profissional, amoroso, não importa, você precisa confiar. É impossível você terminar um pré natal com alguém em quem você não confie completamente. Fica muito complicado manter uma relação de respeito quando uma das partes não acredita no que a outra está dizendo.

   Como você vai seguir uma orientação simples, de usar uma vitamina, ou tomar um analgésico se você não confia no médico? Sendo um pouco mais radical - como você vai permitir que alguém em quem você não confia traga seu filho ao mundo?

   Talvez esta relação de confiança tenha se perdido um pouco nos últimos tempos. Neste mundo maluco onde a internet determina diagnósticos e dá os tratamentos, o papel do pré natalista parece ser menos importante. Muitas pacientes chegam no consultório com queixas específicas e respostas prontas, querendo apenas a nossa confirmação. Então, quando são contrariadas ou então se a dicas da internet não são levadas em consideração, elas simplesmente mudam de médico.

    Não foram poucas as vezes que eu recebi paciente no consultório porque a relação de confiança entre ela e o pré natalista tinha sido quebrada. Devo ter perdido algumas também por este mesmo motivo. Quando pesquisamos um pouco mais a fundo a história, percebemos que não tinha acontecido nada de mais, tem sempre a ver com se sentir ou não segura com o acompanhamento.

     As pacientes podem até começar o pré natal com alguém porque ele é famoso, faz muito parto, só faz cesariana, não cobra disponibilidade… mas com o passar do tempo, se não há segurança nas orientações, fica complicado seguir em frente. Algumas, mais resistentes a mudanças não vão trocar, tornando o pré natal bastante difícil. Ou, em alguns casos, quando a gestação já está muito avançada, vão precisar terminar assim mesmo, pois fica quase impossível conseguir outra pessoa “em cima da hora” para seguir o acompanhamento.

    Por que eu resolvi falar sobre isso? Simples, a gestação é uma fase de extrema labilidade emocional. A gestante fica suscetível a opiniões e pitacos dos mais variados tipos, para o bem e para o mal. Se elas não tiverem um porto seguro, alguém de confiança para esclarecer as suas dúvidas, a gestação ficará muito, muito tensa.

    Mesmo ouvindo várias vezes que a internet não é o melhor lugar para esclarecer dúvidas sobre resultados de exames, as pacientes sempre dão uma espiadinha. Na imensa maioria dos casos a dúvida não é solucionada, ou os valores de referência não batem, ou vocês simplesmente não entendem o que está escrito, por ser muito técnico. Nestes casos, se não tiver alguém de confiança para recorrer, de preferência que tenha conhecimento técnico sobre o assunto, ou seja, o pré natalista, pronto, está instalado o caos.

    É imprescindível você acreditar na opinião técnica do pré natalista. Caso contrário, ele/ela vai dizer que você tem “A”, a vizinha diz que é “B”, a internet acha mais provável o “C” e a pobre gestante, chorona por natureza, vê o fim dos tempos, fica insegura, desamparada, com medo.

   Da mesma forma, quando o pré natalista orienta que você pare de fumar e você responde que sua amiga fumou a gestação inteira e não aconteceu nada, quebra-se uma relação de confiança, pois fica claro que a opinião técnica não é a mais importante. Fumar faz mal, ponto. Se alguém fumou, bebeu, usou drogas, não tratou diabetes, e ficou tudo bem, sorte dessa pessoa, mas continua sendo errado.

   Quando as pacientes são orientadas a procurar uma emergência obstétrica, por exemplo, com um médico de plantão, que não é o dela, esta relação de confiança fica ainda mais nítida. Em geral elas ouvem uma orientação, seguem uma conduta, mas marcam uma consulta logo em seguida para confirmar se está tudo certo mesmo ou, hoje em dia, manda um zap zap para ter certeza que é isso mesmo.

    Talvez este seja o maior medo das gestantes, especialmente aquelas que fazem pré natal com alguém, mas vão ganhar seus bebês em emergências, privadas ou públicas - como eu vou saber se quem está me atendendo fez a coisa certa? Será que esta cesariana foi bem indicada? Posso mesmo ficar com a bolsa rota mais de 12h?

    Eu parto sempre do princípio que ninguém, plantonista ou pré natalista está ali para causar danos. Mesmo quando há mais de uma conduta correta, no momento em que um caminho foi seguido, penso eu, tenha sido a escolha considerada mais acertada. Lembrem-se que aquela pessoa que está te atendendo estudou muito para chegar até ali e tem por princípio cuidar da saúde, salvar vidas.

   Como eu sempre digo, nunca saímos de casa pensando: “hoje eu vou sacanear alguém”. Muito menos este alguém sendo uma gestante, que carrega um serumaninho que não tem culpa nenhuma das escolhas dela ou das minhas. É importante a paciente acreditar nisso, confiar no médico ou na enfermeira que está fazendo seu pré natal. Não estamos ali para causar dor e sofrimento.

    A gestação é um processo complicado. São 40 semanas de mudanças extremas, de dores estranhas, de mal e bom humor alternantes. Merecemos alguém que nos acompanhe com todo o cuidado e respeito. Aliás, o respeito precisa ser mútuo e confiar é fundamental.

    Você precisa acreditar no seu médico quando você chega na emergência achando que a sua dor é a maior do mundo (talvez para você seja mesmo) e ele diz que ainda não está na hora, mas vamos fazer uma medicação. Ou então, precisa acreditar ainda mais quando ele liga pra você no sábado a noite, dizendo que os exames de sangue já tem resultado, foram alterados e você precisa ir agora para o Hospital fazer uma cesariana.

     Então, acima de tudo, confie em quem está acompanhando seu pré natal, confie em quem irá recebê-lo na emergência, confie nas suas escolhas e, se não estiver seguro, troque a tempo de começar de novo. Não continue um pré natal porque o médico é famoso, porque sua mãe ou sua sogra gostam muito dele ou sua amiga foi muito bem atendida. Faça um pré natal que te deixe segura. No final das contas isso é fundamental para um final feliz, independente de qual seja a via de parto e dos percalços do caminho.

   Lembrem-se, o pré natalista estudou bastante para estar ali, é responsável pelo desfecho, bom ou ruim. Ele não pretende te fazer mal, não está ali só para ganhar dinheiro, não acordou na maldade, para pregar peças. Ele é um profissional, mas acima de tudo um ser humano, que tem bons e maus dias. Algumas vezes ele vai sorrir menos, ou ter menos tempo, mas nem por isso vai deixar de se preocupar com você. Ou, pelo menos, deveria ser assim. Se não está sendo, sempre há tempo para mudar.

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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