Pressão alta e gestação!

    Uma das coisas que mais assusta a gestante, independente da idade gestacional, são as alterações da pressão arterial (PA). Todo mundo já ouviu falar de alguém que teve este problema, mais ou menos grave, com os mais diversos desfechos.    

    Por definição, as elevações da PA relacionadas/desencadeadas pela gravidez são aquelas que ocorrem depois da 20ª semana. Alterações que aparecem antes disso tem uma causa prévia a gestação e precisam de investigação de uma forma diferente. Os valores que definem hipertensão são uma pressão sistólica >= 140mmHg com uma PA diastólica >= 90mmHg, em duas aferições distintas, feitas de forma adequada (repouso, posição, aparelho calibrado…), com um intervalo de 4h entre as medidas. Quando os valores ultrapassam 160/110 não há necessidade de confirmação em 4h.    

    A intenção do blog nunca é dar aula. Resolvi falar deste assunto como forma de alerta. As pacientes precisam entender melhor essa doença e saber identificar possíveis sinais de alerta. Talvez assim o diagnóstico gere menos pânico. Embora na maioria das vezes a hipertensão arterial seja assintomática, diagnóstico precoce possibilita um tratamento mais adequado.   

    Podemos dividir os distúrbios hipertensivos em duas grandes classes: hipertensão prévia à gestação e hipertensão desencadeada pela gestação. Como cada um deles envolve uma série de particularidades, neste post vamos nos ater somente nas hipertensões desencadeadas pela gestação. Vou listar todas elas com as suas definições para facilitar, depois falamos algumas particularidades:

# Hipertensão gestacional - alteração da pressão que ocorre depois das 20 semanas, sem outros sinais de gravidade associados, com melhora em até 12 semanas após o parto;

# Pré eclâmpsia - definida por uma alteração da pressão arterial de início súbito, associada a proteinúria ou a uma disfunção em algum órgão específico, com ou sem proteinúria, em mulheres normotensas, depois das 20 semanas. Também pode ocorrer no pós parto;

# Eclâmpsia - ocorre quando as pacientes com diagnóstico de pré eclâmpsia desenvolvem convulsões, sem que haja outra condição neurológica como causa;

# Síndrome de HELLP - forma grave de pré eclâmpsia que pode ocorrer em pacientes previamente diagnosticadas com esta patologia ou ter início já desta forma mais grave, sem necessidade de alteração da PA ou proteinúria associadas;

# Hipertensão crônica - aquela que tem início antes das 20 semanas ou se mantém depois de 12 semanas pós parto;      

     Como dito acima, alterações da PA próprias da gestação, são aquelas que ocorrem após a 20ª semana e se resolvem em até 12 semanas após o parto. Elas podem, ou não, ser complicadas por outras síndromes hipertensivas, próprias da gestação, que, penso eu, são as responsáveis pelos maiores medos das gestantes, pois em decorrência delas vêm as complicações mais graves.      

    A aferição da PA em todas as consultas de pré natal, após um repouso mínimo, com um aparelho adequado é imprescindível. Isso também vale para as emergência obstétricas ou então as emergências clínicas, quando o atendimento é prestado a uma gestante. Lógico que uma única medida alterada não faz diagnóstico, mas merece ser observada ou investigada, de acordo com as queixas da paciente.      

    A hipertensão desencadeada pela gestação é uma situação que merece atenção, pois é o primeiro sinal de que as coisas não estão funcionando bem. Em geral as primeiras medidas são um controle mais rigoroso da PA, repouso e uma avaliação laboratorial para descartar outras patologias associadas. Algumas vezes só o repouso já traz as medidas para a normalidade e a gestação segue sem maiores problemas. Outras vezes é preciso entrar com medicação anti hipertensiva.

    As rotinas de pré natal mudam um pouco quando há diagnóstico de hipertensão na gestação e as avaliações maternas e fetais também. Em geral precisamos de ecografias um pouco mais específicas (Doppler obstétrico) e um controle laboratorial mais rigoroso. A interrupção da gestação, bem como a via de parto dependem de como as coisas vão evoluir. Não é imprescindível a cesariana.   

    Complicações hipertensivas como a pré eclâmpsia, por exemplo, são situações mais graves, que demandam um controle/cuidado mais frequente e, dependendo de como os exames evoluem, as vezes, precisamos de internação hospitalar para controle da PA, monitorização fetal e avaliação laboratorial. Alterações em qualquer um destes fatores determinam se é preciso antecipar ou não o parto, ou mudar a via obstétrica e fazer uma cesariana de urgência.   

    Sempre que há diagnóstico de alteração hipertensiva na gestação, a resolução do problema se dá com o nascimento do bebê e a retirada da placenta. No entanto, dependendo da idade gestacional, nem sempre isso é possível no momento em que a patologia é descoberta, devido a prematuridade fetal. Talvez este seja o ponto de maior tensão entre a gestante e o pré natalista.   

    Quando temos uma alteração da PA sem outros sintomas associados, fica mais fácil convencer a paciente e seus familiares de levarmos a gestação o próximo possível do termo (mais de 36 semanas). Porém, quando há alteração laboratorial ou pressão arterial de difícil controle, com necessidade de internação as coisas ficam um pouco mais complicadas.   

    A apresentação clínica mais comum da pré eclâmpsia é um início súbito de hipertensão arterial e proteinúria em pacientes de primeira gestação, com mais de 34 semanas. A presença de outros sinais e sintomas como dor de cabeça persistente, alterações visuais ou epigastralgia são sinais de doença mais grave, que determinam a necessidade de interrupção da gestação.   

    Embora estas alterações mais graves não sejam comuns, pacientes com gestação gemelar, extremos de idade, pré eclâmpsia na família ou em gestações anteriores, patologias pré existentes como diabete mellitus, doença renal e obesidade, aumentam bastante o riscos.   

   É importante que paciente com maior predisposição a desenvolver síndromes hipertensivas na gestação tenha um aparelho confiável para aferir a pressão, saibam reconhecer os sinais de gravidade e estejam sempre atentas à movimentação fetal. Além disso, uma alimentação saudável, um ganho de peso adequado, aliado a uma rotina de exercícios físicos regulares também são imprescindíveis. Lógico, quando o diagnóstico já estiver definido, é importantíssimo usar as medicações de forma regular e seguir as orientações do pré natalista.   

    Agilidade no manejo das patologias hipertensivas e, principalmente, uma percepção precoce de que alguma coisa não está certa fazem toda a diferença para que se tenha um desfecho o mais favorável possível.

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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