A dor e o amor de me tornar mãe!


Não tenho pretensão de dar uma aula sobre maternidade. Apenas decidi falar como começou minha jornada no mundo da maternidade e como ela está seguindo. Faço isso para tentar animar as mamães que estão desesperadas com o puerpério. Ele é só o começo de uma longa, dolorosa jornada... e a mais feliz de todas.

Acho que a mulher se torna mãe no dia que descobre a gravidez. Ainda muito que superficialmente, pois não sentimos nada, não temos efeitos e os parefeitos da gestação ainda são poucos, mas já somos mães. Algumas, mais otimistas, já começam a andar segurando a barriga, para deixar bem claro que ali tem um bebê.

Porém, a maternidade, com todas os seus comemorativos - fáceis e os nem tanto - na minha opinião, começa no dia que você retorna do Hospital com o bebê. Neste momento, todos os seus benefícios de gestante, de fato, terminaram. Como eu costumo dizer, agora é tudo contigo. Lógico, sempre temos alguém para nos ajudar (minha mãe passou 15 dias comigo, graças ao bom Deus), mas o dia a dia é todo nosso.

Então, lembro muito bem da terça feira de manhã quando eu recebi alta do Divina e cheguei em casa com a bolota (na época ela era uma bolota). Entrei em casa sozinha, a bebê com o pai, para que nossa gatinha não ficasse com ciúmes. Ela mal chorava, dormia muito. Literalmente, zero incomodação.

Por opção, nos primeiros 30 dias só tiramos ela de casa para as avaliações de rotina que, devido a minha toxoplasmose, já eram muitas. Também decidi não receber visitas nos primeiros dias, para que pudéssemos nos adaptar com as novas rotinas.

Os primeiros 15 dias foram somente da família. Todo mundo encantado com aquele bebezinho que só dormia e mamava. Agora parece muito fácil mas a parte do “só mamava” para mim era quase um momento de tortura. Sim, eu tive muita dificuldade de amamentar no início. Mais de uma vez eu disse “ela quer mamar de novo?” Doía muito, as vezes por estar muito cheio, outras só pelo fato de estar muito machucado. Levou tempo para cicatrizar e virar uma rotina prazerosa, mas virou. Um belo dia eu acordei sem dor, com uma produção adequada de leite e ela mamando super bem. Seguimos assim até 1a3m.

Nos primeiros dias, raramente ouvíamos ela chorar. Doce ilusão. Com uns 20 dias ela começou com cólicas, passava horas chorando todas as noites. O pai já estava achando que o problema era com ele, pois mal entrava em casa e a choradeira começava. Foram noites intermináveis de banhos de balde (ofurô), muita massagem, medicações, andanças pela casa em esquema de revezamento e muito, muito, muito cansaço.

Para nossa sorte, ou não, coincidiu com um período que nós viajamos de férias para a casa da minha avó, então ficou um pouco mais fácil pelo fato de não precisarmos trabalhar. Porém, as noites acordadas eram terríveis. Lembro do meu avô muito preocupado, rezando na sala, e minha avó preparando os banhos quentinhos com chá de camomila.

Foram 40 dias de cólicas que doíam em mim, noites sem dormir e muita, muita paciência. Então, um belo dia, ela dormiu a noite toda e a vida ficou bem mais tranquila. Ela dorme bem até hoje.

Minha vida mudou completamente com a chegada dela. Eu optei por trabalhar menos, ou de forma mais autônoma. Fiquei com turnos livres para me dedicar para ela, no início, e hoje para mim. Organizei meus horários todos em função dela e sou bem mais feliz. Costumo dizer que eu não entendo como vivi 34 anos sem ela.

Voltei a trabalhar quando ela tinha 2 meses. Bem menos do que eu trabalhava normalmente, mas em ritmo de vida normal, consultório e nascimentos. Estava iniciando outra batalha, a da retirada de leite para as horas que eu estava fora. Acredito que esta tenha sido a jornada mais difícil de todas, a que mais me estressou e mais me preocupou. Eu passava muito tempo na máquina retirando leite. Tinha uma bolsinha fiel escudeira com todos os apetrechos sempre comigo. Sem contar a preocupação diária - vai ser suficiente?

Até ela completar 1 ano eu só dei leite do peito, mesmo para a escolinha eu só levava meu leite. Depois desta idade eu aderi a fórmula na escola e mantive assim por mais 3 meses. Hoje, talvez, eu sinta um pouco de saudade. Porém, digo sem sombra de dúvidas, amamentar é mais difícil que parir de parto normal, mas é muito importante, vale cada segundo, todo os esforços possíveis e impossíveis.

Pois então, como assim escola? Sim, com 9 meses tomamos uma decisão bem difícil, colocá-la na escola. A despeito de todas as opiniões contrárias possíveis, resolvemos que esta seria a melhor escolha. E foi. Mesmo com todas as otites, o dreno nos ouvidos, não me arrependo, faria de novo. Com ela na escola eu voltei a ter um pouco mais de dia a dia normal, o famoso “horário comercial”, com alguns períodos “livres” para organizar a vida sem tanta correria.

Por eu ter voltado a trabalhar muito cedo, ela sempre ficou muito bem com outras pessoas. Logo, a adaptação na escola foi bastante simples, o que me deixou mais segura. Era só no turno da tarde, mesmo assim não é fácil, nunca. Várias vezes eu estava em casa e ela na escola e a culpa me torturava, mesmo que eu tivesse centenas de afazeres. Ela sempre amou e ama a escola. Hoje ela acorda já querendo sair de casa e fica em turno integral.

Virar mãe é sempre um desafio. Acredito que nenhuma mulher esteja 100% preparada, mesmo não sendo o primeiro filho. Nossa vida fica de ponta cabeça, passamos a viver 24h por dia, todos os dias, em função daquele serumaninho que depende única e exclusivamente de nós. Para algumas mulheres essa transformação é mais complicada, eu achei difícil, confesso que algumas vezes eu perdi a paciência, gritei, chorei bastante, mas passou. Depois que ela nasceu eu passei a dormir bem menos, comer muito mal e ter uma vida cronometrada, pelo menos por um tempo, mas tudo certo.

Hoje em dia eu faria algumas coisas diferentes, especialmente com relação aos cuidados comigo mesma. Levei muito tempo para entender que eu precisava manter um mínimo de bem estar pessoal, almoçar e fazer exercícios físicos. Eu sempre dormi muito pouco, então o sono não era problema, mas quando eu precisava passar a noite toda no hospital, era uma tortura. Hoje já encaro melhor, mas ainda sofro um pouco.

Eu ainda trabalho muito, talvez mais do que antes. Eu amo trabalhar, sou feliz assim, voltar foi muito importante para mim. Aprendi a me organizar melhor, as vezes nem tanto, e também já sei fazer pequenos milagres, como todas as mães. Alguns dos meus dias, com certeza, tem mais de 36h. Eu durmo muito pouco, mas tenho uma rotina de alimentação e exercícios físicos, faço massagem e as unhas, quando dá, e não me estresso mais porque ela está na escola enquanto estou fazendo essas pequenas frescuras.

Ser mãe é a transformação mais incrível de todas, mas você precisa ter um mínimo de noção de que a vida nunca mais será a mesma. Caso contrário, fica bem complicado. Às vezes você gostaria de dormir até acordar, almoçar sem interrupções, tomar banho de porta fechada, mas não dá e você precisa aceitar que é assim e tudo bem.

Quando você se torna mãe algumas coisas perdem um pouco o sentido. Certamente você tem uma amiga que passa 2h na academia, vai para o salão de beleza toda semana e tem uma vida social mega agitada. Sim, e daí? Você tem um despertador oficial, um grude até na hora de fazer xixi, o melhor sorriso do mundo e um amor infinito. Cada uma com as suas prioridades. Só não podemos sofrer com isso.

A vida é feita de escolhas e elas sempre, SEMPRE, trazem consequências. Você precisa aceitá-las e estar preparada para elas. Decidir sem mãe não é diferente. Minha vida mudou completamente, precisei tomar decisões difíceis, mas sou completamente realizada. Sem sombra de dúvidas sou muito mais feliz agora e me tornei um ser humano muito melhor depois que ela chegou.

Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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