Até quando trabalhar na gestação?

   Está é uma dúvida bastante comum das pacientes e seus familiares. Sem contar alguns empregadores que insistem em ter uma data para o nascimento. Costumo resolver este impasse informando a data provável do parto e reforçando que o parto pode acontecer antes deste dia ou até mesmo uma semana depois.

    Especialmente no terceiro trimestre, algumas gestantes acabam ficando muito cansadas, com dificuldades para andar, dores nas costas, um sobrepeso que atrapalha um pouco, ou muito nos afazeres do dia a dia. Dependendo do quanto essas mudanças interfiram no dia a dia, ou da forma como as gestantes reagem a elas, parar de trabalhar parece a salvação para todos os problemas. Eu super entendo, mas não é tão simples assim.

   Não existe uma data pré determinada para você parar de trabalhar, assim como não podemos prever quando o bebê vai nascer. Algumas pacientes trabalham até a véspera do nascimento, seja ele uma cesárea eletiva ou um parto normal. Outras ficam mais cansadas, sentem mais as últimas semanas e querem parar antes.

    Legalmente, a licença maternidade pode ser fornecida 28 dias antes do parto, porém, vocês precisam lembrar que cada dia de licença com o bebê na barriga é um dia a menos com ele fora dela. Quando pensando que a maioria das mamães possui 120 dias de benefício, parar muito cedo pode ser um prejuízo importante.

   Hoje em dia, a maioria das mulheres que trabalha fora e vai usufruir de licença maternidade já se programa para ter um mês de férias ao final da licença, prolongando um pouco o tempo com o bebê. Acredito que isso seja importante, especialmente, para aquelas que vão colocar os bebês na escolinha na volta da licença. Ficar um mês a mais em casa é sempre um benefício.

    Por outro lado, algumas gestantes estão super bem, com uma gestação saudável até então e, de repente, numa consulta de rotina, são avaliadas com um quadro de pressão alta, trabalho de parto prematuro ou outra alteração que exija repouso. Nestes casos, o afastamento do trabalho é imprescindível. Mesmo que no atestado conste a necessidade de repouso até o término da gestação, 28 dias antes da data provável de parto, automaticamente, este atestado se torna a licença maternidade.

    O tempo necessário de repouso ou de afastamento depende de cada gestante. Cada situação precisa ser avaliada individualmente, sempre levando em consideração as condições clínicas, físicas e emocionais de cada mulher. Não existe regra, existe sim bom senso.

    Eu trabalhei em ritmo normal até 38 semanas. As medicações da toxo me deixavam muito enjoada e eu estava fazendo mudança, a vida um caos, achei melhor diminuir o ritmo. Mesmo assim, segui auxiliando cesariana até a Alice nascer. A última foi com 40s4d. Eu estava bem tranquila, até porque quem estava operando era meu obstetra. Já minha mãe e meu marido não ficaram nada calmos até eu voltar pra casa.

    Confesso que sou meio agitada, ficar em casa dia e noite me dá uma certa angústia, não combina comigo. Foi assim no pré parto e também depois, na Licença. Eu preciso fazer alguma coisa, sou assim. Usei minha folga das 38 semanas para organizar o apartamento (a mudança iniciou com 36s e terminou depois da criança nascer) e também para agendar alguns acompanhamento de pós parto para a Alice, que teria algumas condutas específicas devido a minha toxoplasmose.

      Pois então, nestas duas semanas, a única coisa que eu não fiz foi o tal do repouso. Aliás, salvo em situações muito específicas por complicações da gestação, ficar de repouso é completamente desnecessário. Na verdade, viver uma vida o mais normal possível diminui um pouco a ansiedade do último mês e ainda pode ajudar com o trabalho de parto quando está chegando a hora.

     Uma situação muito específica são os sangramentos de primeiro trimestre, ou então alguma alteração de placenta que possa evoluir para um descolamento. Nestes casos o repouso é muito importante, faz parte do tratamento. Porém, na imensa maioria das vezes, quando o problema se resolve a vida volta ao normal, sendo possível retornar ao trabalho.

     Outra dúvida bem importante é quanto a dirigir. Acredito que depende muito de cada gestante. Elas precisam se sentir seguras dirigindo, não tem um tempo pré determinado. Algumas se queixam de desconforto com a barriga muito próxima ao volante, ou então com o cinto de segurança. Quando isso acontece talvez seja melhor parar mesmo.

    Eu dirigi até a véspera do nascimento. Além de não achar ruim, eu me sentia mais independente fazendo minhas coisas, dirigindo sozinha. Tenho um pouco de problemas com “não me virar sozinha”. Meu puerpério foi um pouco confuso por isso. Tenho dificuldade de pedir ajuda. Que fique bem claro, eu estou errada, peçam ajuda, é importante. Aproveitem o barrigão e deixem as pessoas “servirem” vocês.

     Se pudéssemos planejar, eu aconselharia todas as pacientes a programarem seus partos para os meses de junho, julho, agosto e setembro, quando a temperatura é mais agradável e os efeitos do terceiro trimestre não são complicados pelos calorões do verão. Então, quando vocês planejarem, se planejarem, acredito que estes sejam os meses mais fáceis para o término da gestação.

     Acho que o terceiro trimestre é mais tranquilo quando as temperaturas são mais frias. Eu sempre quis um filho nestes meses, mas saiu melhor do que eu imaginava. Ela nasceu dia 30.08.15. Fazia um calorzinho fora de época, mas junho e julho tinham sido bem frios. Não precisei comprar muita roupa e não fiquei nada inchada. Foi mais fácil.

     Mais importante do que um dia pré determinado para parar de trabalhar, ou entrar de licença maternidade, é prestar atenção nas queixas de cada paciente e observar quando o cansaço está gerando sofrimento e elas precisam mesmo de repouso.

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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