A vida real depois dos filhos!

   A vida muda completamente depois que nascem os filhos, não só a da mãe e do pai, mas a de todos que irão conviver mais diretamente com aquele novo serzinho. Lógico, o impacto maior é sempre na vida do casal e, arrisco a dizer, muito maior na vida da mãe. Eu acho que a vida da mulher começa de novo no dia do parto, totalmente diferente do que era antes.

  Precisamos estar minimamente preparadas para essas mudanças, senão elas vão tornar tudo bem mais complicado. Talvez por isso Deus tenha nos dado 9 longos meses de espera. Eles nos dão tempo para aceitar a gestação, acalmar a euforia da chegada do bebê e planejar como será a vida depois do nascimento. Se é que se pode ter algum planejamento. Muitas mulheres ficam aguardando uma luz, um momento ideal para ter filhos, pensando nas mudanças que eles vão trazer para as suas vidas. Lamento, mas este momento nunca chega, nem a luz.

   Num mundo ideal os filhos deveriam ser planejados, no momento certo, com as condições ideais, mas isso é bem difícil. Na imensa maiorias das vezes os filhos “acontecem”. Mesmo casais que estão planejando gestar, em geral acabam tendo os filhos antes do programado, a partir do momento que começam a colocar as tentativas em prática.

    Nossa filha foi extremamente planejada. Eu tenho uma vida super corrida, a Alice com certeza iria “atrapalhar” minha rotina. Então eu precisava que ela viesse no “momento certo”, ou o mais próximo disso possível. Queria ter uma estabilidade no emprego, uma casa própria e também organizar as pacientes para não deixar ninguém na mão na hora delas terem os seus bebês.

   O plano era suspender o anticoncepcional na copa do mundo de 2014, dar um tempo usando ácido fólico e depois começar a tentar. Não sei como, mas aconteceu exatamente assim. Paramos em junho/14, começamos a tentar em novembro e a Alice nasceu em agosto de 2015. Tipo o plano perfeito.

    Lógico que nós tivemos muita sorte e eu vejo, diariamente, que não é assim que as coisas funcionam. Até porque depende de muito mais coisas do que única e exclusivamente da nossa vontade. Hoje em dia as mulheres baixam aplicativos para controlar o período fértil e muitas delas são “enganadas” por ele.

    Resolvi escrever sobre “a vida depois dos filhos”, pois tenho visto muitas mulheres (e homens) postergando a maternidade (paternidade) esperando o momento ideal, que na verdade nunca vai existir. Claro que você pode ter uma etapa melhor da vida, mais bem estruturada profissionalmente, mas as coisas sempre vão virar de ponta cabeça quando os pequenos chegarem.

    Calma, as mudanças são enormes, mas são maravilhosas. Você vai passar algumas noites acordadas, vai precisar se adaptar com um serumaninho que ainda não sabe falar, mas reclama bastante de outro jeito, seus horários vão mudar, sua geladeira não poderá mais ter só água e maionese, seu tempo será mais corrido, sua rotina será outra e principalmente, sua vida terá outro sentido. É isso que faz toda a diferença. Filhos dão sentido à vida. Então, mesmo com todas as mudanças, a vida fica mais colorida quando eles chegam.

    Quando a Alice chegou eu era funcionária pública, trabalhava muito mais de 12h por dia, às vezes 7 dias por semana. Precisei fazer uma super adaptação da minha vida profissional para manter ela como prioridade e não deixar minhas pacientes na mão. Optei por ter uma vida mais autônoma, assim conseguiria controlar melhor meus horários ou, pelo menos, deixá-los mais flexíveis.

    Foi uma escolha difícil, mas valeu muito a pena. Depois de um tempo de adaptação as coisas foram se ajeitando e hoje eu trabalho tanto quando antes, mas consigo ter um pouco mais de controle dos meus horários.

  Entendo que a maioria das mulheres não pode fazer esta escolha e, por isso, entendo quando elas decidem largar os empregos por um tempo, ou em definitivo, depois que os filhos chegam. É muito difícil cumprir os 4 meses de licença maternidade e depois precisar deixar os bebês, muitas vezes ainda em amamentação exclusiva, numa escolinha, com uma babá ou com alguém da família. Ainda é cedo, tudo é tão recente… Sem contar que, algumas vezes, a escolinha ou a babá levam a maior parte do salário e acaba não valendo a pena.

   Como organizar a vida depois dos filhos? Não sei exatamente, não tem uma fórmula mágica, mas as coisas sempre se resolvem, sempre conseguimos nos organizar. É impressionante a capacidade que as mamães e os papais tem de “dar um jeito”. Nem sei quantas vezes eu fui chamada quase na hora de deixar a Alice na escola. No momento que o telefone toca é um caos, depois tudo se ajeita.

  Normalmente acabamos saindo menos, especialmente no primeiro ano. Temos rotinas e programas diferentes, a volta ao trabalho é um pouco mais confusa, com uma sensação de culpa pelo suposto abandono, mas aos poucos nos adaptamos às novas rotinas e fica tudo bem. O mais importante é aceitar que a vida vai mudar, mas ela será boa mesmo assim. Mudanças trazidas pelos filhos são sempre gigantes, mas muito, muito gratificantes. Filhos são tudo de bom.

  E quando você está no meio de uma reunião importante, com a agenda do consultório cheia ou, simplesmente, fazendo a unha e alguém liga dizendo que seu filho está com febre? Passamos por isso inúmeras vezes, Alice teve otite de repetição, foram muitas e muitas vezes com febre até colocarmos um dreno em cada ouvido e resolvermos, em partes, as crises.

    Pois então, eu sempre digo que quando nasce um filho surge, por bem ou nem tanto, uma rede de apoio. Ou seja, pessoas com as quais você pode contar nestes casos, que vão, literalmente, salvar o seu dia. Essas pessoas podem ser da família, amigos, alguém que você contratou, ou então um vizinho que pode quebrar um galho naquele momento.

   Por experiência própria e também pela minha vivência de dia a dia com várias mamães diferentes, nas mais variadas condições financeiras e de trabalho, você não precisa planejar tudo isso. Esta rede de apoio vai se formando de acordo com as suas necessidades e, algumas vezes, a ajuda vem de onde menos se espera.

   Então para as mamães tentantes ou em fase de planejamento: adiem a maternidade para cumprir o período probatório do emprego, ganhar uma promoção, terminar um projeto importante, para acabar a faculdade, o mestrado ou uma pós, mas não adiem para sempre. A vida nunca será 100% organizada para a chegada dos filhos. Até porque, o bebê irá bagunçar tudo quando nascer.

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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