Diabete Mellitus Gestaciona!


Imagino que este tema seja um dos maiores medos das pacientes, especialmente aquelas que já conhecem a doença, ou tem alguém que já passou por isso. Confesso que era um pânico para mim. Acho bastante complicado você conviver com um problema crônico, seja qual for, especialmente quando ele exige tanto cuidado. Culturalmente usamos a comida para aproximar pessoas, demonstrar afeto, compartilhar momentos importantes. Uma problema que limite isso pode ser bem complicado. Sem contar que a diabete pode trazer muitas consequências para a gestante e para o bebê.

Eu entendo que existem patologias mais graves, dentro e fora do período gestacional, com efeitos mais deletérios a curto e a longo prazo, não vamos entrar neste mérito. O post de hoje é sobre diabete mellitus gestacional (DMG). Novamente, não tenho a intenção de dar uma aula. Só acho IMPORTANTÍSSIMO falar sobre isso. As mamães, futuras mamães e suas famílias precisam entender que não é “só uma DMG”.

Ela ocorre por uma alteração da função do pâncreas, relacionada à gestação, que acarreta uma resistência à insulina. Algumas das consequências desta patologia são o aumento do risco de pré eclâmpsia, macrossomia fetal (os gordinhos), traumas maternos e gestacionais no nascimento (devido ao peso fetal aumentado), um maior número de parto operatórios e falhas na indução de parto e também tem maiores riscos de nascimento de bebês prematuros e com as interferências decorrentes da prematuridade.

Os fatores de risco para desenvolvimento da doença são ganho excessivo de peso no primeiro trimestre, paciente obesas, com glicemias prévias à gestação alteradas, doença hipertensiva, gestação múltipla, história familiar de diabetes, especialmente em familiares de primeiro grau. Nem todas com fatores de risco irão desenvolver DMG, bem como aqueles com mais de um fator de risco tem maiores chances. Por isso é importante fazer uma avaliação antes de pensar em gestar, quando isso for possível. Assim algumas patologias já podem ser controladas.

Sempre que a alteração da glicose aparecer, primeiramente, durante a gestação, ela será denominada DMG. Se o problema vai persistir ou vai se resolver com o nascimento do bebê é outra história. Glicemia alterada nos exames de pré natal, em pacientes sem diagnóstico prévio, caracterizam um quadro de DMG. Logo, o pré natal sai do risco habitual para um alto risco e tem início uma nova etapa, com um foco diferente.

Isso, por si só já gera um pânico nas mamães. Tornar-se uma gestação de alto risco não é uma situação muito confortável, entendo completamente. Porém, precisamos levar em conta que, na imensa maioria das vezes, é uma patologia transitória, induzida pela gestação, e que vai se resolver tão logo o bebê nascer. Mesmo assim, quando é feito o diagnóstico, precisamos ter uma série de cuidados e algumas condutas diferentes das rotinas de uma gestação com risco habitual.

Em geral o tratamento inicial é com dieta, que deve ser orientada no momento do diagnóstico, pelo pré natalista. Lógico, é fundamental ter acompanhamento de um especialista (Endocrinologista e/ou Nutricionista). Infelizmente, a realidade da maioria das pacientes não permite este acompanhamento especializado, ainda mais quando se trata de um pré natal no SUS. As consultas com especialidades e o pré natal de alto risco, em ambiente hospitalar, com equipe multidisciplinar, em geral, são reservadas para casos mais graves, que necessitam de medicação.

Não se trata apenas de não comer açúcar propriamente dito. Precisamos levar em conta que os carboidratos também precisam ser ajustados, bem como as frutas, que são ricas em frutose. Ou seja, a dieta precisa ser totalmente ajustada e, principalmente, controlada e acompanhada. Precisamos manter um ganho saudável de peso para fornecer os nutrientes necessários para o bebê.

Naquelas pacientes com nas quais se consegue um bom controle glicêmico com dieta associada a exercício físico, podemos levar a gestação até o termo (40 semanas). Quando o uso de medicação é necessário orienta-se que a indução do parto seja com 39 semanas. DMG não é indicação de cesariana. Muito pelo contrário. Sempre que houver condições, é mais indicado o parto normal.

O mais importante quando é feito diagnóstico de DMG é seguir as orientações médicas, iniciar com a dieta o quanto antes e praticar algum tipo de exercício físico. Um bom controle glicêmico permite uma gestação saudável, com desfecho no termo ou mais próximo dele possível, sem outras patologias sobrepostas, com mamãe e bebê saudáveis.

Todos achamos lindos aqueles bebês bem gordinhos, mas precisamos levar em conta que este aumento excessivo de peso causado pela diabetes não é sinal de saúde, mas sim de problemas e o pós parto pode ter várias consequências ruins.


Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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