Paciência é a alma do negócio!


Este post é direcionado especialmente para aquelas mamães, que como eu, em algum momento, já pensaram em estrangular o marido, companheiro, namorado ou, simplesmente, pai da criança. Por favor papais, tentem entender o nosso lado. Vocês são essenciais, mas às vezes complica.

Depois de algumas noites de fúria, comigo mesma, por não falar nada mesmo precisando sempre de ajuda, acabei me dando conta que o papel do pai e da mãe na criação dos filhos é completamente diferente. Entender isso é fundamental para manter a sanidade do relacionamento. Eles nos completam e são importantíssimos, mas raramente, ou nunca, vão fazer as mesmas coisas que nós. Isso não quer dizer que não precisem ajudar. Aliás, não é exatamente uma ajuda, mas sim uma divisão de tarefas. Ambos têm responsabilidade na criação dos filhos, embora com papeis diferentes.

No entanto, não adianta você chegar em casa do trabalho, podre de cansada, olhar para a sua sala - com aparência de que passou um tsunami violento, ou então o taz mania - virar uma louca e sair gritando. Não vai mudar. Da próxima vez será a mesma coisa. A não ser que você sente, com calma, e tente conversar com um mínimo de sanidade, ou melhor, com toda a paciência do mundo. Tem que explicar nos mínimos detalhes cada coisa que te incomodou. Literalmente TUDO.

Talvez assim ele entenda que dar banho na criança sozinho é bem difícil, sabemos, mas depois do banho você pode, ou deveria, juntar a roupa suja e colocar no cesto para lavar. Ou então, não começar tirando a roupa na sala e ir deixando uma peça em cada parte da casa até chegar ao banheiro. Acredito que eles não saibam, é preciso explicar que as roupas não se materializam no tanque ou na máquina, muito menos no varal ou no armário. Alguém coloca elas nestes lugares, em geral, vocês, as mamães.

Da mesma forma, se você der 50 mamadeiras para a criança durante o dia, quando ela dormir você precisa lavá-las, pois serão usadas no outro dia. Ao contrário das fraldas, elas não são descartáveis. Acumular todas as mamadeiras do dia deixa a mãe extremamente mal humorada quando chega em casa, muito tarde da noite, depois de um dia todo de trabalho e precisa lavar a louça.

Não foram poucas as vezes que eu cheguei do hospital já de madrugada e percebi que o taz havia nos visitado. Ele vinha muito aqui em casa. No início eu dei chilique, depois fiquei muda, emburrada e agora eu respiro fundo, conto até 3187 e tento conversar. Em todas estas ocasiões eu precisei lavar tudo, limpar tudo, recolher a roupa espalhada pela casa e ainda deixar tudo organizado para a escolinha no dia seguinte. Ah, sem contar que algumas vezes eu ainda precisava fazer o meu almoço, que eu levo pronto para o consultório todos os dias.

A vida a dois é bem complicada, quando um filho entra na jogada então, haja paciência, dos dois lados. É preciso ter muito jogo de cintura, muito companheirismo e, acima de tudo, amor, muito amor. Um relacionamento que não, tem amor não tem paciência e não tem amizade, logo, não tem como ir adiante. É importante que os dois entendam que é preciso ceder um pouco para fazer a vida funcionar.

Apesar das dificuldades eu sou absolutamente feliz. Meu marido, embora bagunceiro com algumas coisas, é fundamental para eu seguir trabalhando e tendo uma vida minimamente normal. Como eu já disse algumas vezes, eu trabalho muito, nos mais variados horários, em geral em esquema de correria, sem conseguir me programar previamente. Ele precisa ter muita paciência para me ajudar a dar conta. Assim como eu desmarco muitas coisas para atender as pacientes, ele também desmarca as dele para cuidar da Alice. Várias vezes eu liguei dizendo que estava num parto e ele precisaria sair mais cedo do trabalho para pegá-la na escola. Sem discussão.

Então, como fazer dar certo? Você sempre acha que está sobrecarregada, que os problemas são todos teus e os benefícios todos dele. Não é bem assim. TENHA PACIÊNCIA, aprenda a ver o lado bom das coisas, a parte cheia do copo. Ninguém será ou fará as coisas exatamente como você quer, mas isso não quer dizer que fará ou estará errado.

É imprescindível que quando você delegar uma tarefa para o marido (ou qualquer outra pessoa) você aceite que ele vai fazer do jeito dele, não do seu e isso não é errado, só é diferente. Acho que isso vale para todos os tipos de relacionamento. As pessoas não precisam fazer as coisas do jeito que você quer. Desde que elas façam direito e você não precise fazer de novo, tudo bem. Especialmente quando temos filhos, aprender a delegar funções é fundamental.

Confesso que levei muito tempo para entender isso, mas agora sou mais feliz, mais leve e mais tranquila. Nem sempre eu consigo delegar, mas eu me esforço bastante. Desde que voltamos da maternidade o banho da Alice é tarefa do pai. Ele aprendeu a dar banho na banheira, depois no balde e agora no chuveiro. Eu respeito muito este momento, que acredito ser importantíssimo para o vínculo dos dois. Eles conversam, cantam, brincam, é demais.

Os filhos, especialmente os menores, sempre vão precisar mais da mãe do que do pai. É fisiológico. Não adianta querer dividir de igual para igual, você só vai sofrer. A mãe sempre vai fazer mais, sempre vai estar mais sobrecarregada. Até porque, quando o filho acorda de noite é por você que ele chama e, mesmo que o pai atenda, em geral você precisa levantar também. Isso não quer dizer que os pais não devam ajudar. Só não podemos ter a ilusão de que as tarefas serão divididas meio a meio.

Por isso mamães, lembrem que o cérebro do pai não é igual o nosso e eles nem sempre se dão conta das coisas, mesmo que elas pareçam óbvias. Sejam pacientes, vejam o lado bom das situações, mas não deixem de delegar funções. Talvez a chave do problema seja - delegar e relaxar, SEM RECLAMAR. Além disso, também não esperem que eles façam 50 coisas ao mesmo tempo, como você. Isso é um privilégio de sermos mulher.



Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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