40 dias de tormenta!


Já mencionei em outros textos, mas todos os dias esse assunto vem à tona no consultório, acho super importante. O puerpério é uma caixinha de surpresas. Algumas mamães levam 30 dias, outras 40, algumas levam 60, ou 6 meses para entrarem no ritmo. Tudo depende do seu poder de adaptação e, principalmente, da sua capacidade de aceitar o inesperado.

Hoje quero falar especificamente dos primeiros 40 dias de pós parto. Quando um furacão se instala no emocional das mulheres recém paridas e nem todas conseguem dominá-lo sozinhas. Aliás, na minha humilde opinião, nenhuma puérpera deveria segurar sozinha o rojão da quarentena, mas nem todas aceitam que precisam de ajuda. Pior, nem todas as famílias estão dispostas ou entendem que é preciso ajudar.

É importante entender também que ajudar não significa assumir responsabilidades, ocupar o espaço da mãe. Muito pelo contrário. O primeiro passo para ajudar é respeitar o espaço, respeitar o tempo e, principalmente, deixar que ela construa seu vínculo com o bebê, que ela “aprenda” a ser mãe do seu jeito. Não tentar criar um modelo ideal, fazer a puérpera seguir normas ou conselhos, faz toda a diferença. Não existe um padrão de maternidade, existe sim a nossa experiência, a nossa vivência e isso é construído com a chegada da criança. Mesmo que seja o 10º filho, sempre começa tudo de novo.

Recentemente eu atendi uma paciente ainda fragilizada com as mudanças após o nascimento da sua bebê, que já tem 6 meses e é fruto de uma gestação super planejada, com muito estudo sobre gestar, parir, amamentar, criada num lar cheio de amor e, na teoria, completamente preparado para a chegada da bebê. Doce ilusão. Nunca estamos totalmente preparadas para a chegada do bebê, mesmo quando ele não é o primeiro filho.

Canso de ouvir que a parte mais fácil da gestação é parir, independente da via de parto. Os eventos que sucedem o nascimento do filho podem fazer um estrago irreparável na vida da mulher, ou do casal, caso vocês não estejam preparados para enfrentá-los. Vejam bem, estar preparados não significa saber o que fazer a todo momento, ou então ter noção completa dos fatos.

Quando o filho nasce, você passa a viver em regime de dedicação exclusiva. Fazer xixi, tomar banho, ter uma refeição decente passam a ser completamente supérfluos, desnecessários na verdade. Tudo pode esperar o bebê estar dormindo. Nos primeiros 30 dias você dorme e acorda em função do bebê e das suas necessidades. Aliás, muito mais acorda do que dorme. Você deixa de fazer qualquer coisa para acalmá-lo, trocar sua fralda ou amamentar.

Ah, amamentar. Aquela foto do Ministério da Saúde é tão, mas tão linda, tão educativa, mas tão fictícia. São raríssimas as mães que não tem algum tipo de angústia com os primeiros dias de amamentação.

Aquelas que tem pouco leite sofrem para aumentar a produção. As que tem muito sofrem porque dói, “empedra”, fica difícil amamentar com o peito explodindo. Sem falar nas fissuras, na pega inadequada. Como assim você não sabe que o bebê precisa abocanhar todo o mamilo? Não leu nada durante a gestação? A teoria e os palpites são tão fáceis.

Acho que amamentar é um dos pilares das dificuldades no pós parto imediato, talvez o mais importante. As dificuldades com a amamentação irão tornar o processo mais ou menos prazeroso. Isso não quer dizer que se não for fácil vai ser ruim. Não, nunca. Eu mesmo tive um começo bem difícil do processo de amamentar, mas foi ótimo. Tudo vai depender de como você encara esse início, do grau de sofrimento que ele te causa.

Muitas gestantes acabam ficando deprimidas nos primeiros dias e algumas se cobram também por isso. Como assim estar se sentindo triste com um bebê tão lindo? Sintam-se, permitam-se, chorem, sim, chorem muito. Extravasar as emoções facilita as coisas. Chorar não é um sinal de fraqueza, é ser humana, sentir medo faz parte.

Aceitar que você não é uma super mãe desde o primeiro choro do bebê é o primeiro passo para virar uma super mãe. Sim, cedo ou tarde você vai acordar, o medo foi embora o mamilo cicatrizou, o humor voltou ao normal, a tristeza passou e você se tornou a mulher maravilha, super mãe, mulher, dona de casa, trabalhadora… deste dia em diante a vida fica muito, muito mais fácil.

Porém, até este dia você precisa aceitar ajuda, pedir ajuda, permitir que ela chegue. Precisa se cobrar menos, não buscar a perfeição (ela nunca chega) e se dar o direito de aprender a ser mãe, porque todos os filhos são uma aventura nova, incrivelmente boa, mas nem sempre fácil.



Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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