Como assim, ele não vem?


Acredito que uma das grandes angústias das gestantes é “quem vai fazer o meu parto”. Quando elas são pacientes de consultório em geral ficam ainda mais angustiadas. Aquelas que já tem como plano ganhar no plantão obstétrico, seja ele de SUS ou de convênio, pouco importa quem irá atendê-la, desde que preste um atendimento de qualidade.

Quando existe um desejo de cesariana bem estabelecido e dá tempo de marcar e chegar ao dia marcado, as coisas também ficam mais fáceis, pois a equipe tem tempo de se organizar e, salvo raríssimas exceções, é o médico assistente que opera as suas pacientes de cesariana eletiva.

O problema maior acontece quando você entra em trabalho de parto e o seu médico assistente está indisponível, seja por qual motivo for e alguém assume o parto no lugar dele. Imagino que seja bem complicado você “descobrir” que não será o seu pré natalista que fará o parto ou a cesariana no momento que a criança está nascendo.

Como obstetra, eu tinha duas opções de quem faria meu parto, mas ficaria absolutamente frustrada se não fosse meu médico, que também é meu colega de consultório, meu porto seguro e minha dupla para assuntos obstétricos. Basicamente, eu precisava que fosse ele.

O fato de sermos uma dupla obstétrica me proporcionou uma experiência bastante peculiar. Por volta das 35 semanas de gestação ele viajou de férias e, como acontece todos os anos, eu assumi as pacientes dele. Acontece que eu era uma dessas pacientes e, quando eu me dei conta disso foi muito estranho. Como assim, eu era o sobreaviso dele, mas quem seria o meu? Por fim deu tudo certo, ele me ofereceu algumas opções, eu escolhi uma amiga, avisei para ela que, caso precisasse, ela faria meu parto e segui a vida, normalmente. Alice não nasceu, graças ao bom Deus.

Já perdi as contas de quantas vezes eu substituí meu colega de consultório num parto/cesariana ou de quantas vezes precisei que ele assumisse. É muito difícil fazer obstetrícia sem ter alguém para dividir as pacientes, especialmente quando você tem preferência por fazer partos normais, como é nosso caso. Às vezes o bebê escolhe nascer no meio das férias, um mês antes da data provável de parto, ou então bem no dia do plantão. Você precisa ter alguém para te substituir.

Hoje em dia é muito comum que se formem equipes obstétricas, que dividem as visitas hospitalares e, eventualmente, os nascimentos. Isso possibilita uma melhor qualidade de vida para os obstetras e um atendimento mais completo para as pacientes. Sempre que as nossas pacientes chegam para iniciar o pré natal elas já são avisadas que somos uma “equipe de dois” e, eventualmente, não será o médico assistente que fará o parto, mas a conduta será a mesma, independente de quem assuma o caso.

O importante quando você chega para ter o bebê e seu obstetra está indisponível e você tentar estabelecer uma relação de confiança com quem vai te atender. Nem sempre é possível você ter grandes conversas com o médico. Dependendo de como está o trabalho de parto só dá tempo para uma apresentação resumida e mãos à obra.

Mesmo assim, é importante o médico conversar e orientar sobre tudo que será feito, ou não, para que a gestante e o familiar se sintam seguros. Precisamos lembrar que o nascimento de um filho é um momento mágico, mas também de muita fragilidade. Não podemos reforçar isso. É importante tentar tranquilizar a gestante. Conversar sempre, deixar bem claras as condutas e respeitar as escolhas é fundamental.

Eu já fiz parto porque meu colega estava de plantão, porque o médico assistente não atenderia em determinado hospital e também porque eu era quem estava mais perto e o bebê estava saindo. Em todas as situações a chegada não foi fácil, algumas ficaram absolutamente frustradas, outras se tornaram minhas pacientes. Independente disso, o importante é que sempre acabou tudo bem. Precisamos lembrar que, para aquela família, é o nascimento de um filho, precisa ser especial. Gosto de ter o controle da situação, de acompanhar pré natal antes do parto, mas essas situações inesperadas são ótimas. A adrenalina faz bem para a alma.

Como eu já disse em outras situações, tenham um plano B, pensem em outras possibilidade que não a ideal. Deixem bem claro o que vocês querem, mas conversem bastante sobre as possíveis mudanças de planos com o médico assistente. No caso dele não estar disponível, ou você precisar ter seu bebê no plantão, tentem deixar claras as suas vontades. Procurem entrar de mente aberta, conversem com o médico que irá atendê-las e vejam ele como um aliado no seu plano de parto. Vocês precisam entrar em sintonia para que as coisas funcionem bem.

Estamos num momento de muita desconfiança com relação ao nascimento. Aquelas que querem cesariana acabam tendo uma gestação mais fácil, em tese, porque já tem um plano definido de parto. Já aquelas que querem parto, por ser uma caixinha de surpresas, acabam tendo um pouco mais de ansiedade por não saberem a hora do nascimento e se o médico estará disponível. Quando acontece dele não estar, imagino que o primeiro pensamento seja: “vão respeitar minha escolha?”

É importante confiar. Entender que os médicos estão ali para ajudar. Traçar um perfil que combine com as suas escolhas e tentar escolher um médico que se encaixe nele. As equipes obstétricas, em geral, são formadas não só por afinidade, mas também por perfil de conduta.


Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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