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    Quando eu tive a ideia de postar relatos de parto não tinha noção de quanto seria produtivo, não só para mim, mas também para as pacientes e seus familiares. Eu não imaginava que tanta gente, assim como eu, gostasse de ler outras experiências. Mais do que isso, que os maridos ficariam mais seguros lendo estes relatos. Hoje eu percebo que além de curtir e se emocionar com as leituras, outras pacientes também são inspiradas, encorajadas por estes relatos.

      Há muito tempo eu tenho o hábito de ler relatos, especialmente de pessoas famosas. Confesso que eu gosto de saber a via de parto da Gisele, da Rafa Brites, da Mônica Benini, da Mariana Weickert, da Carolina Dieckmann, da princesa Kate. Não faço isso por ser tiete, de jeito nenhum, faço porque eu acho importante saber por qual experiência de parto elas passaram. Como foram os partos normais, como elas viveram aquele momento, como passaram pelas dores, se foi com ou sem analgesia... Isso me dá força para continuar divulgando minha crença de que o parto normal é, sem sombra de dúvidas, a melhor forma para nascer.

      Com toda certeza muitas gestantes que têm dúvidas sobre sua via de parto, quando leem relatos de parto acabam querendo viver esta experiência também. Isso não tem preço. Quando um relato influencia alguém, estimula esta mulher a tentar, acredito que a função primordial dele foi alcançada. Não sugeri os relatos para engrandecer pacientes com parto normal, mas sim para tornar essa experiência acessível, mostrar que ela é especial, mesmo com dor.

      Cada vez que eu saio de um parto, fico revivendo tudo que aconteceu, pensando se a família ficou feliz, sentiu-se acolhida, segura, respeitada. Faço uma espécie de relato interno, pontuando os prós e os contras, lembrando de detalhes, avaliando condutas ... e fico doida para dividir aquela história com outras pessoas. Porém, não é a minha história, preciso que a paciente se sinta a vontade para contar. Lógico, na consulta de revisão eu sempre pergunto como a paciente e o acompanhante se sentiram.

      Outro dia nasceu o terceiro filho da princesa Kate. Foi um evento, todo mundo achou o máximo ela parir uma criança de 3800g, de parto normal, sendo princesa, com alta no mesmo dia … eu também achei incrível. Que bom uma princesa ter essa sensatez de ser submetida a experiência do parto, pela 3ª vez, que fique bem claro. Acontece, e isso ninguém falou, que na Inglaterra, o parto normal é a via normal para nascer. Ninguém engravida para ter uma cesariana. Existe uma cultura muito forte de parto, para todo mundo, mesmo que você seja princesa. Cesariana é indicação médica, não uma escolha.

     Neste mesmo dia, uma das minhas pacientes também teve um parto normal. Foram horas de trabalho de parto, com contrações intermináveis, período expulsivo prolongado, primigesta, marido presente o tempo todo, super dando apoio, levando alguns xingões (da paciente), mas sempre dando força. Por fim, nasceu um bebezão lindo, saudável, com 4180g e de PARTO NORMAL. Ao contrário da princesa, minha paciente escolheu ter um parto. Ela poderia, embasada na estimativa de peso, optar por uma cesariana eletiva, mas não, ela se propôs a parir e foi lindo. Eu fiquei pensando que ela também merecia um espaço na mídia.

      Os relatos de parto sempre são úteis, sejam eles de parto normal ou cesariana. Óbvio que eu prefiro os relatos de parto, sou parteira, faz parte das minhas crenças, da minha preferência profissional. Por isso eu acabo “fuxicando” os partos das famosas, para poder usar de exemplo no meu dia a dia. Adoro poder dizer que “fulana teve parto normal”, ou então, “ciclana ficou horas em trabalho de parto e depois precisou de uma cesariana, faz parte”.

      Um dia eu estava vendo uma entrevista da Carolina Dieckmann e ela contou que tinha tido dois filhos de parto normal, o último com mais de 3900g e 41s. Contra todas as opiniões e “forçando” o médico a tentar. Achei lindo o relato, chorei. Se causou essa impressão em mim, que não tenho dúvidas da melhor via para nascer, imagina naquela gestante que está ansiosa, com medo de tentar. Relatos de parto não tem preço.

   Muito importante! Muitos destes relatos da internet são descrições de partos domiciliares, com os quais eu não concordo. Não por achar que não dá certo, mas porque eu acredito que ainda não temos estrutura suficiente para fazer. Não temos uma rede de apoio em caso de alguma coisa dar errada. É muito diferente ter seu parto em casa, com um plano de ação bem organizado, um Hospital de referência, com fácil acesso de prontidão … no Brasil a realidade é outra. Sempre pontuo isso quando discuto o parto domiciliar com as pacientes. Podemos ter um parto hospitalar humanizado. É mais seguro para a mãe e para o bebê.

      Por isso mamães (e papais), relatem suas experiências de parto, mesmo quando vocês escolhem uma cesariana eletiva. Dividam essa experiência com as outras pacientes, com os outros casais. Mais do que isso, papais contem a sua versão. Acho complicado para alguns casais assistirem vídeos de parto, mas acho importantíssimo que eles leiam os relatos de parto. Essa leitura vai ajudá-los a entender que, mesmo com dor, vale a pena tentar e a experiência é linda, para o papai, a mamãe e o bebê.

 

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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