Uma parceria de sucesso!

     Minha gestação foi super, hiper planejada. Decidimos que o anticoncepcional seria suspenso na Copa do mundo de 2014 e as tentativas seriam no final do ano e assim se fez. Eu estava muito mais pronta para ser mãe do que o Thiago para ser pai, mas minha idade incomodava e resolvemos - JUNTOS - que seria melhor assim.

    Infelizmente ainda vivemos numa sociedade com traços bem fortes de machismo. Quem nunca ouviu a célebre frase “quem decide quando vai ter filhos é a mulher” (ouvi muito isso). É uma pena, pois essa talvez seja a forma mais errada de começar uma família. Quem decide quando vai ter filhos é o casal, ou pelo menos deveria ser assim.

      Em um mundo ideal, as gestações deveriam ser minimamente planejadas, pelo casal. É importante que eles estejam de acordo com a chegada de um filho, pois ele vai bagunçar muito a vida dos dois e talvez a pressão não seja suportada quando a decisão de ter filhos não for conjunta.

      Eu vejo casais se formando e se separando todos os dias, muitas vezes pela chegada do filho. O bebê tem um poder incrível, sua chegada por separar ou unir casais. Nem todos estão preparados para a bagunça que a criança irá fazer na vida do casal e, opinião muito particular, isso não tem a ver com o tempo de relacionamento, mas sim com a maturidade que ele atingiu.

    Quando o bebê nasce a mulher se torna mãe acima de tudo, pelo menos nos primeiros meses, mas pode levar mais tempo. É preciso muita paciência e parceria para continuar levando uma vida a dois, para entender que aquele serumaninho micro depende inteiramente dos pais (mais da mãe) e não há o que fazer.

     Perdi as contas de quantas vezes eu estava exausta, embalando a Alice há horas e a chegada do Thiago do trabalho me trouxe um alívio gigantesco. Ou então, no meio da noite, eu já morta de tanto embalar e ela aos berros, ele levantava, preparava um “ofurô” com chá de camomila e ela ia para o banho. Essa parceria sempre foi essencial para que as coisas funcionassem. Fez com que a parte boa fosse sempre maior que as dificuldades.

    Aliás, desde que a Alice nasceu o Thiago foi sempre o responsável pelo banho. Primeiro na banheira e depois dos 3 meses no chuveiro. Até hoje este “é o momento de pai e filha”. Acho muito importante que eles tenham esse tempinho só deles. Esse vínculo é fundamental. Sem contar que acabam sobrando 20 ou 30 minutos para você sentar e relaxar, ou então fazer qualquer outra coisa.

      Já falei, mas vale repetir: (na minha opinião) a mulher se torna mãe no momento que descobre a gestação, mas o pai vira pai de verdade quando vê o bebê pela primeira vez. Mais do que isso, o “click” vem aos poucos, não é automático como para as mulheres. É importante reforçar este vínculo ao longo do tempo.

     O instinto materno é algo muito forte. Por isso eu acho importante incluir o pai nas tarefas de rotina. Ele precisa ter algumas responsabilidades só suas. Pode ser o banho, as trocas da noite, não importa, mas ele precisa se sentir útil. Até porque, ele é fundamental para que a sanidade mental da mãe seja mantida, especialmente no primeiro ano da chegada do bebê.

      Foi-se o tempo em que o filho “segura o casamento”. Isso não existe mais. Casais se separam aos montes durante a gestação ou então nos primeiros meses da chegada do bebê. Os filhos afastam o casal, não aproximam (leiam com bons olhos). É preciso ter muita maturidade para dar conta de ser mãe e esposa, ou então pai e marido.

      Quem tem ou já teve filho pequeno vai entender: quantas vezes vocês colocaram a criança para dormir, abriram um vinho e começaram um filme e, do nada, a criança acorda como se tivesse dormido por semanas, com todo o gás e o programa a dois já era? Não há quem não perca um pouco a paciência quando isso acontece, mas faz parte, não tem o que fazer, não adianta surtar, emburrar…

     Por isso eu acho que a decisão de ter um filho deve ser do casal. Não podemos sucumbir às pressões da família, ou da sociedade. Mesmo que alguém ajude nas rotinas do dia a dia, depois que o bebê nascer, a parte pesada é sempre da mãe e do pai e eles precisam estar preparados.

     Então tá, a chegada do bebê vai bagunçar tudo e não tem o que fazer? Mais ou menos isso, mas dá pra tentar adaptar horários, programas, rotinas. É importante que pai e mãe estejam conectados nesta bagunça inicial, mesmo que não vivam juntos. O primeiro ano, de fato, é mais complicado, mas aos poucos conseguimos voltar a ter algumas horinhas livres para levar uma vida mais “normal”.

      Por exemplo, aqui em casa, um dos nossos programas preferidos é cinema. Quando a Alice ficou maior voltamos a ver filmes na telona. Sempre escolhemos as sessões do meio dia, que coincidem com o almoço dela e não com mamada ou mamadeira e ainda tem um tempo de soninho. Funciona muito bem.

      Sair para jantar é mais difícil, sempre escolhemos restaurantes que aceitam crianças e tenham espaço kids. Também não é possível levar horas, é jantar e voltar. Da mesma forma são as saídas com amigos. É super possível, desde que os dois sejam beneficiados em algum momento.

     Finalizando, tentem ao máximo estabelecer uma parceria de sucesso antes de colocar um filho nela, mesmo que vocês não sejam um casal. Isso não garante que dê certo, que as dificuldades sejam menores, mas um vínculo sólido nos ajuda a superar a crise de uma forma mais fácil. Quando as duas pessoas trabalham juntas para solucionar o problema ele se torna bem mais leve.

 

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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