Culpa x Egoísmo!


Quando você decide ser mãe, por consequência, quase que como um parefeiro da gestação, você passa a se sentir culpada pelas mais diversas situações. Às vezes você se sente culpada por situações que nem dependem de você, ou nas quais você não está envolvida. A culpa surge com a gestação quase que como se as duas coisas formassem um pacote fechado. Para tornar a maternidade um pouco mais "leve", precisamos adicionar a este pacote uma certa dose de egoísmo.

Durante a gestação você se sente culpada porque está comendo um doce e vai ter diabetes gestacional, ou porque gostaria de tomar um café preto, mas a vizinha disse que não pode, ou então porque o marido chegou tarde em casa e você ficou ansiosa e o bebê pode estar sofrendo.

Aí você acorda vomitando as tripas e o primeiro pensamento é “será que fez mal para o bebê?” Como assim, você está enjoada, com aquela sensação de náusea insuportável, que não te deixa levantar, nem deitar, que faz o mundo girar e as luzes te incomodarem, mas você só pensa no bebê? Sim, a partir do momento que você descobre que está gestante, nada nem ninguém é mais importante do que o bebê. Muito menos você mesma.

Talvez este seja o momento de praticar um pouco o egoísmo. Não é fácil, mas é importante. Tornar-se mãe não é nada fácil, exige muita dedicação, muita doação, mas também é importante que tudo isso seja mesclado com uma certa dose de egoísmo. Como assim?? Ser mãe é se doar, viver pelo filho? Sim e não, precisamos dosar os sentimentos para termos uma vida mais equilibrada.

Não é preciso se doar inteiramente, todos os dias, 24 horas por dia para os filhos. É fundamental pensar no seu próprio bem estar, pelo menos de vez em quando. Mães felizes criam os filhos com mais alegria e, por consequência, melhoram o relacionamento com o parceiro, com as outras pessoas e consigo mesma. O humor melhora, o dia fica mais leve e a convivência com a criança se torna mais prazerosa. Ter filhos não pode ser um fardo, precisa ser um prazer. Mais do que isso, deve ser um prazer.

Essa semana eu vi um vídeo que me fez escrever este post. Ele falava sobre cuidar-se como mulher, aceitar-se como mulher e mãe e respeitar o espaço de cada uma. Aceitar que você não pode apagar uma para viver a outra. Você precisa aprender que cada uma tem seu momento e sua relação com os filhos, com o marido, a família, com o mundo, depende de estar bem com estas duas mulheres que passam a coexistir em você depois da chegada dos filhos.

Admiro muito as mulheres que conseguem deixar a culpa num compartimento fechado, ter um dia “livre” na semana, para fazer unha, ir ao mercado, fazer ginástica ou fazer nada. Chegar a este momento é uma decisão bastante difícil, mas é fundamental. Depois de muitas brigas e conversas eu entendi que posso ir ao cinema e deixa ela com a avó sem que isso cause nenhum trauma na vidinha dela.

Acredito que esta também seja uma das missões de se tornar mãe, aprender a lidar com a culpa e se permitir ser um pouco egoísta. Estes dois sentimentos vão nos acompanhar para sempre, a partir do dia que descobrimos a gravidez.

Durante um ano eu fui muito mais mãe do que qualquer outra coisa. Trabalhava menos, Alice ia para a escola só a tarde, eu raramente almoçava, não fazia nada por mim, era mãe em tempo integral, com regime de dedicação exclusiva. Então um dia eu me dei conta que eu passava a maior parte do tempo de mau humor, estava sempre irritada, perdia a paciência num piscar de olhos e minha vida começou a ficar um tanto quanto “chata”.

Minha primeira decisão, e talvez a mais complicada, foi colocar a Alice na escola em tempo integral para organizar melhor meu próprio tempo. Não foi fácil, mas foi uma boa escolha. Comecei a ter horário fixo na manicure, procurei um Personal, arrumei tempo para almoçar direito, aumentei horário de consultório, passei a trabalhar mais e até minha dieta engrenou, com direito a Nutricionista e tudo.

Minha qualidade de vida melhorou 300%, mas o que melhorou mesmo foi a qualidade do meu tempo com a Alice e com o Thiago. Quando estamos felizes a vida se torna menos complicada, as tarefas do dia a dia ficam menos pesadas e você consegue aproveitar melhor aqueles 30-40 minutos que passa com a família antes de deixar a pequena na escola, ou então antes de ir pro trabalho.

Nem todas as mães conseguem deixar os filhos na escola, com uma babá ou com alguém da família para fazer ginástica, ou então fazer a unha. Esta é uma decisão que precisa ser pensada e repensada muitas vezes. Não adianta largar as crianças na escola e passar o dia se sentindo culpada. Porém, ter um tempo só seu pode ser uma escolha fundamental para garantir sua qualidade de vida após a maternidade.

Não deixem que a culpa tome conta. Sejam um pouco egoístas de vez em quando. Tenham tempo para o cinema, academia, unhas, ou então, simplesmente, FAZER NADA. É impressionante como sentar no sofá e fazer nada pode fazer toda a diferença para manter o bom humor. A vida depois dos filhos fica muito melhor quando você inclui eles na sua vida e não se anula para viver a vida deles.

Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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