Qual a melhor forma de educar?

     Sempre fui considerada uma pessoa “brava” (uma calúnia, óbvio). Na residência era mais ou menos assim: “Sabe a Maria Fernanda? Qual, a braba?”. Tudo bem, não sou a mestre da paciência, tenho um humor lábil, mas já melhorei muito e não sou mais tão furiosa. Acho até que virei boazinha, especialmente depois da maternidade

      Porém, lógico, como uma boa gringa, eu falo alto, mesmo quando estou conversando calmamente. Digamos que meu tom de voz é significativamente mais alto que a normalidade, especialmente quando estou em casa, com a família, que carinhosamente me chama de gralha… Com tudo isso, acabo falando mais alto do que o Thiago com a Alice. Ela até já disse “a mãe grita”, o que me deixou muito mal.

     Aqui em casa sempre partimos do princípio que quando se grita numa discussão entre adultos acabamos perdendo a razão. Acho que com as crianças funciona a mesma regra. Gritar não faz com que a Alice me obedeça ou me respeite mais, muito pelo contrário, acaba criando uma certa tensão e gera um clima de medo. Não gosto que ela tenha medo de mim, acho terrível, na verdade.

      Educar embasada no medo é muito perigoso. Imagino que um dia eles vão crescer, talvez ficarem maiores do que nós, mais fortes, ou somente mais corajosos e este medo vá embora. Aí as coisas podem sair totalmente do controle se for este o único motivo para sermos respeitados.

      É preciso muita paciência, muita sabedoria e um autocontrole incrível para criar filhos. Eles nos desafiam todos os dias, o tempo todo. O tal do “terrible two” às vezes vem com tudo aqui em casa. Minha vontade é dar um pause ou então voltar a cena e tentar fazer de outra forma. Eles testam nossos limites e buscam um jeitinho de conseguirem aquilo que desejam. Não é fácil dizer não o tempo todo, nem é efetivo, mas eu acho muito importante que eles ouçam nãos.

      Alice aprendeu a dizer não muito antes de dizer sim, primeiro com a cabeça, depois verbalmente. Óbvio, ela repetia aquilo que ouvia e ela ouve não há muito tempo. Começamos como forma de aviso “não põe o dedo ali”, “não sobe aqui”, “não pega nos bigodes da mana” (gata), “não come isso” … depois passamos para negativas mesmo, do tipo: “não pode brincar com faca”, “não pode colocar a mão na tomada”, “não pode subir na mesa” ...

      Acredito que, como eu, a maioria dos pais acabam dizendo muito mais “nãos” do que “sins” para o filhos. Confesso que isso me deixa bastante preocupada, às vezes tira algumas horas do meu sono. É muito fácil dizer não, mas eu sempre penso se ele é realmente efetivo. Especialmente porque é difícil dizer não para aquele serumaninho lindo, com a cara da fofura e com um poder gigante para “dobrar adultos”.

    Já li algumas vezes que dizer não é como reforçar o sim, eles encaram como um desafio, tentei me policiar, mas não adianta, eu falo MUITO não para a Alice. Acho que ela está na fase de testar os limites então o não é a nossa rotina. E aí, o que fazer?

      Não sei, estamos aceitando opiniões. Já conversei sobre isso com outras amigas que têm filhos pequenos, ou então com outras que já passaram por esta fase. As dúvidas são muitas, as opiniões das mais variadas, mas não existe uma verdade absoluta.

     Resolvi escrever sobre isso não para dar uma aula, mas para conversar com vocês e ouvir (comentários) opiniões diferentes da minha. Talvez isso me ajude a ser uma mãe melhor, a dizer menos “nãos”, ou mais “sins”, ou até a encontrar outra forma de responder as perguntas e os desafios do dia a dia.

     Há alguns dias eu ando policiando meu tom de voz, tentando baixar os decibéis (como diz minha prima) e conversar com a Alice sem me exaltar. Não é fácil. Até porque eu preciso repetir várias vezes o mesmo comando e manter o mesmo tom de voz é quase impossível quando você está repetindo a mesma frase pela quinta ou sexta vez.

      Uma das atitudes que eu tento manter é sempre falar com ela da mesma altura, ou seja, eu me abaixo para ficar como ela ou levando ela para ficar da minha altura. Também li que isso é efetivo, mas nem sempre funciona. Na maior parte das vezes eu preciso segurar ela com força quando é hora da conversa para mantê-la minimamente concentrada no que estou dizendo.

      Está aí um grande problema - fazer uma criança de 1, 2, 3 anos se concentrar no que estamos dizendo e manter esta concentração por mais de 30 segundos. Em geral eles não entendem muito bem qual o significado de uma negativa, de chamarmos sua atenção ou precisarmos “conversar sério”. Logo, passamos o dia fazendo frases negativas que não servem para quase nada a não ser me deixar estressada.

      Super importante, ficar chateada por dizer não quase que o tempo todo não quer dizer que ele não seja fundamental na criação dos filhos. Ao longo da vida, mesmo depois de adultos, ouvimos muitos nãos e isso acaba nos tornando fortes. Por isso, não acho que o caminho seja evitar os nãos, muito pelo contrário, eles moldam caráter, impõe limites e ensinam que nem tudo é permitido, dentro ou fora de casa.

       Lógico, na escolinha a história é completamente diferente. Ela guarda os brinquedos, respeita a professora, entende quando precisa ser repreendida ou perder algum benefício por mau comportamento. É um primor de educação que se esvai no momento que eu piso na escola para trazê-la pra casa. Se alguém souber uma forma mágica de tirá-los do pátio no final da tarde sem precisar ser de arrasto e gritando como se estivesse sob tortura, por favor, aceito todas as dicas.

     O post de hoje é mais um pedido de ajuda, uma conversa entre mães e pais. Quem estiver disposto a comentar, dividir experiências ou nos dar uma aula sobre o tema fique a vontade. Acredito que ser mãe é o maior desafio da vida das mulheres que escolhem este caminho.

    Toda ajuda é bem vinda para aprimorarmos nossas técnicas de maternidade e tentarmos fazer este “trabalho” da melhor forma possível. Claro, bem longe de sermos o modelo ideal ou perfeitas. É possível ser uma mãe incrível, mas acho que a perfeição é impossível.

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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