Mesmo sendo difícil, é essencial!


Quando descobrimos a gestação, junto com a emoção e a felicidade do momento vem uma série de medos e preocupações. A maior parte deles não tem muito fundamento, outros são mais reais, mas talvez o mais complicado de todos os processos de se tornar mãe, ou pelo menos aquele que exige mais dedicação e paciência, não gera preocupação neste momento.

Já falei sobre “A arte de amamentar” em outro post, mas acho que vale retomar o tema, especialmente porque cada vez eu vejo mulheres trocando o peito pela fórmula porque “é mais fácil”. Talvez num primeiro momento seja mesmo mais fácil, até porque você pode delegar esta função para outras pessoas ao invés de ser a fonte única de nutrição de um bebê recém nascido, que dá bastante trabalho e, por si só, já é desafiador.

Como eu tive parto normal e amamentei exclusivo até 6 meses, consigo dizer que foi mais fácil parir, sem sombra de dúvidas. Amamentar é um desafio diário, exige tempo e paciência. Você precisa estar disposta a se dedicar exclusivamente para a criança, mesmo quando está com sono, fome ou vontade de fazer xixi. Em geral eles não tem muita paciência para esperar nossa demanda ser atendida. O que importa mesmo é a fome deles. Melhor não provocar e saciar o quanto antes.

Mesmo assim, é a melhor experiência do mundo, tanto para a mãe quanto para o bebê. É incrível. A conexão que se estabelece entre o os dois durante aqueles 10, 30 ou 60 minutos de amamentação não tem preço, não pode ser comparada a nada, nem vivenciada de outra forma. Talvez este seja nosso instinto mais primitivo. Os bebês já nascem procurando o seio materno. Já se direcionam para o peito nos primeiros momentos do contato pele a pele e, como num passe de mágica, começam a sugar. É demais!

Especialmente as mamães de primeira viagem, que enfrentam uma situação totalmente nova depois da chegada do bebê, é preciso muita paciência, disposição e ajuda para que a amamentação tenha maiores chances de sucesso. Cada vez mais é preciso reforçar a importância de amamentar, e, talvez a parte mais difícil, mantê-la de forma exclusiva por pelo menos por 6 meses.

É fundamental reservarmos um tempinho na avaliação de pós parto para este assunto, se possível antes da alta, ainda no Hospital, pois a primeira semana em casa, em geral, é a mais difícil. Precisamos estimular o processo de amamentação desde o início. Como na maioria das situações que envolvem gestação, parto e puerpério, existem inúmeras informações, todo mundo tem um palpite ou uma orientação. É importante que a gestante nos veja como referência também neste processo, sinta-se segura.

Uma queixa muito comum, já na alta do Centro Obstétrico para o Alojamento Conjunto é “não tenho leite”, ou então “tenho pouco leite”, ou ainda, “ o bebê não está sugando”. Devemos sempre lembrar que nascer é uma aventura, tanto para a mãe, quanto para o bebê. Mesmo que ele, instintivamente, procure o seio materno nos primeiro minutos de vida extra uterina, nem sempre ele sabe o que está fazendo, ou então não tem necessidade de mamar nas primeiras horas ou, o mais comum, precisa de um volume bem pequeno para se satisfazer. Paciência é a alma do negócio.

Nos primeiros dias o bebê está se adaptando com a amamentação, como sua mamãe. Às vezes ele suga por menos tempo, fica cansado mais rápido, acaba mamando mais vezes ao dia. Ou então, ele acaba permanecendo muito tempo grudado no peito. Tudo isso é normal, faz parte do processo, do aprendizado.

Devemos sempre levar em conta que, além de nutrição, o ato de amamentar também reforça o vínculo entre a mãe e o bebê, dá segurança para aquele serumaninho recém nascido, que encontra na mãe seu porto mais seguro. De fato são dias de adaptação, tenham paciência e perseverança. Na imensa maioria das vezes o processo fica mais fácil com o passar do tempo.

Quando isso não acontece, teoricamente, o médico assistente, ou uma consultora de amamentação, ou os bancos de leite deveriam entrar em cena. Existem MUITAS formas de buscar informações e ajuda para este processo. A introdução de fórmula deve ser nossa última opção, embora seja a mais prática e fácil.

Hoje em dia muitos profissionais se dedicam exclusivamente ao processo de amamentar. Preparam as mamães no pré natal, ou então fazem consultorias no puerpério. Em geral eles vão em casa, fazem a adaptação no próprio ambiente familiar, com técnicas de boa pega, cuidados com mamilos para evitar fissuras, ou então medidas de controle e cuidados quando elas já estão instaladas.

Tudo bem, mas e quem não condições financeiras para contratar um profissional assim? Calma, ainda assim temos soluções. Os bancos de Leite Maternos podem auxiliar no processo, os posto de saúde também podem fazer orientações de boa pega e cuidados. Além disso, o médico assistente, quando se tem um, deveria estar apto para fazer estas orientações.

Independente de quem faça as orientações, da condição financeira da família ou mesmo da via de parto, sempre precisamos lembrar que o leite materno é o melhor e mais recomendado alimento para os bebês. De forma exclusiva até os 6 meses e depois conforme as mamães consigam se organizar. Sem contar que leite materno é de graça e fórmulas lácteas custam bastante dinheiro. Não deixem de buscar ajuda, não desistam por medo ou falta de orientação. A saúde dos bebês e o seu desenvolvimento agradecem.

Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

Compartilhe:
  • Facebook Social Icon
  • Google+ Social Icon
  • Twitter Social Icon
  • Pinterest Social Icon
Mais lidos:
Tags:
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now