O desejo de ter um filho!


Outro dia eu assisti uma série no Fantástico sobre Fertilidade e hoje acordei pensando no desejo que os casais têm de se tornarem pais. Como eu vejo mulheres ficando grávida quase que todos os dias, o tempo todo, raramente paro para pensar nesse processo como sendo um problema.

Falha minha, pois eu também convivo com esta dificuldade no consultório. Algumas vezes só por ansiedade de que seja “já”, mas em muitas outras existem problemas reais e que precisam de acompanhamento, tratamento e, principalmente, muita conversa.

Nem todas as mulheres querem, de fato, ser mãe. Porém, todas as mulheres em idade fértil, em algum momento da vida, já se questionaram “será que eu posso engravidar?” Isso não quer dizer que elas já tentaram ou pretendem tentar, é mais uma angústia de saber se existe algum problema de fertilidade envolvido. Costumo dizer que esse “teste” só deve ser feito quando há mesmo o desejo de ser mãe, pois se ele der certo não tem mais volta.

Por outro lado, também vejo vários casais chegando no consultório depois de tentarem por 2, 3 meses, completamente desesperados com o insucesso. Muita calma nessa hora. Além da ansiedade interferir muito no processo de gestar, precisamos de uma certa periodicidade de relações sexuais, associada a um determinado tempo de tentativas (que varia de acordo com a idade da mulher) antes de sairmos em disparada buscando ajuda.

É muito importante lembrar que aquela sua “conhecida” que engravidou no primeiro mês que ficou sem se cuidar é a exceção e não a regra. Em geral leva um tempo para promovermos o tão esperado encontro do óvulo com o espermatozoide. Por consenso, em mulheres até 35 anos, a investigação de infertilidade inicia após 1 ano de relações regulares, sem proteção. Quando há algum fator de risco associado, a avaliação pode ser mais precoce, bem como em mulheres entre 35 e 40 anos, nas quais se indica iniciar investigação após 6 meses de tentativa sem sucesso. Bom, o assunto hoje são aquelas tentantes que não estão conseguindo gestar e ficam ansiosas ou com medo das opções alternativas, como fertilização, ovo doação ou adoção. Quando há o desejo de ser mãe e as tentativas começam a não dar certo, é importante conhecer os planos alternativos, procurar ajuda especializada e não desistir do sonho.

Quando o casal decide partir para o tratamento é importante pesquisar bastante sobre o assunto, sobre os serviços de referência e juntar algumas economias. Também é preciso se preparar para um período longo entre os exames, as avaliações do casal, medicações, acompanhamento multidisciplinar até chegar ao processo de gestar em si. Importantíssimo, não existe mulher ou homem infértil, existe um casal que precisa de avaliação.

Muitas vezes eu vejo mulheres chegando no consultório porque não conseguem gestar, questionando se tem algum problema. Este até pode ser o diagnóstico lá no final, mas o marido passará por avaliação sempre. Não existe uma avaliação de infertilidade só da mulher, o marido sempre vai precisar fazer um espermograma. Mesmo aqueles que já tem filhos.

Outra coisa muito importante. A idade faz diferença na nossa fertilidade. Todo mundo já ouviu alguém dizer que “depois dos 30 é mais difícil”. Sim, de fato é mais complicado gestar depois dos 30 anos, com maior risco de complicações obstétricas e de malformações fetais. Nesta mesma pegada, quanto mais tarde você decide gestar, mais demorado pode ser o processo (agora sim pensando na mulher).

Então, quando você tem um filho com 18, 22 ou 26 anos e decide ter o outro depois dos 30, talvez precise de mais tentativas para que a gestação chegue. Além disso, devido a idade dos óvulos (mesma que a sua), o risco de perdas espontâneas também aumenta. O que não quer dizer que você não pode parar o anticoncepcional em março e engravidar em abril. Vale sempre a regra, comece a tentar somente quando estiver preparada para dar certo.

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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