Relato der parto - Tatiane Lopes


Alguns sinais já demonstravam que tua chegada estava próxima. Uma emoção muito forte tomou conta do meu corpo naquela noite quente do dia 2 de setembro. A lua era linda e cheia. Caminhei pelas ruas alisando a minha barriga, debaixo daquele céu cheio de estrelas e cantei alto, quase como prece, esquecendo do mundo que nos rodeava. O canto das Sereias era uma das canções que havia preparado para a tua chegada, minha flor. Eu tinha selecionado muitas músicas que sabia que aflorariam, quando necessário, meu lado bicho, meu lado deusa. Que evocaria minha ancestralidade me dando a serenidade e a força necessárias para tua sublime chegada neste mundão de Deus.

Naquele instante, meu mundo era eu e tu. Eu não continha as lágrimas sempre tão sinceras de amor por ti, minha Maria, clara como aquela luz que nos rodeava e abençoava. Tu sempre teve, filha, a capacidade de despertar em mim uma força tremenda. Era dela que vinha a certeza e a consciência de que passaríamos juntas pela maior e mais intensa experiência da minha vida: te parir. Era uma garra e coragem absurda que percorriam cada gota do meu sangue.

Em casa, pedi licença ao papai e ao mano, e depois de um banho aconchegante, o ritual que antecedeu a tua chegada continuou. Inundei meu corpo de óleo de coco, com essência pura de rosas e gerânio. Estava estimulando mais ainda a tua vontade de nascer. Dancei, fechei os olhos e te sentia já cada vez mais próxima em meus braços. Estava me despedindo da barriga linda e saudável da tua gravidez.

Já na manhã do dia 3 de setembro, a vida voltava ao normal. Sem dores, fomos levar o mano Pedro na Expointer. Quando chegamos em casa, as contrações davam sinais novamente. Era aniversário da tua tia Tadejane. E foi exatamente quando fomos dar a ela parabéns, que tu num rodopio forte e seguro rompeu a bolsa. Lembro de avisar o papai e do mano correndo pela casa nervoso e feliz. Mamãe estava calma, muito calma. Acomodamos o Pedro, avisamos os avós, falamos para a médica e nos dirigimos ao Divina Providência, em Porto alegre, lugar onde tu nasceu. Lembro de nos acomodarem muito bem e de tomar muita água. Foram horas na bola, fazendo agachamento, embaixo do chuveiro. Massagem e banho morno. Mais música. Mais dança. Mais óleo. Entreguei meu plano de parto e as enfermeiras me explicaram que as dores que anunciavam a tua chegada estavam apenas no início: era preciso coragem e eu tinha certeza de que estávamos no caminho certo. O meu corpo reagiu rápido e tranquilamente até os 7 dedos de dilatação, quando a médica veio nos encontrar.

Quando o dia estava raiando, optamos pela analgesia de parto e a mamãe, cansada, relaxou e dormiu por duas horas. Às 8:30h da manhã, papai entrou em cena e num agachamento junto a médica tivemos dilação total. Lembro de estar imensamente feliz. Imensamente feliz e tranquila. As dores ainda não tinham voltado em sua plenitude e todos nós acreditávamos que em poucas contrações de expulsão tu finalmente viria ao mundo, da forma mais natural possível. Nada te abalava: teu coração pulsava firme e forte. E isso me encorajava. A médica me orientava nas contrações e eu fazia a força. Pude escolher a posição que me sentia melhor. Tinha um anjo moreno que passava delicadamente um lencinho umedecido no meu corpo. Que segurava na minha mão. A médica me passava toda confiança de que logo tu estarias conosco. Ela foi maravilhosa. Quando escutei que já dava para ver teus cabelinhos e que a sala estava preparada para te receber, chamamos novamente o papai, que tinha ido tomar um ar no corredor. Foram horas intensas. Teu corpinho não descia e nem subia, por algum motivo. Fizemos nossa última tentativa onde dei tudo de mim, fiz toda força e da forma certa, mas tu não desceu.

Então veio o que na hora me soou como sentença: cesárea, mas que logo se reverteria na melhor notícia, porque tu veio ao mundo linda, anunciando a tua chegada com um choro forte e capaz de nos inundar de amor. É missioneira, teu pai falou. Eu escutava em flashes que tu tinha ficado presa por uma circular de cordão no tórax. Que a mamãe tinha sido uma guerreira durante 15 horas de trabalho de parto. Que não desistimos. Até hoje fizemos pele a pele, por horas e horas e horas, já que naquele momento não foi possível, embora logo tu tenha vindo para mim: plena. Clara, como a luz do sol. Luz divina em nossas vidas.

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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