Inteligência Emocional!


Meu último texto antes das férias foi sobre os trabalhos de parto que viram cesariana. Na imensa maioria das vezes esta notícia é recebida pela gestante com muita frustração e fica a ideia de que “não deu certo”. Pois então, esta semana eu vivi uma experiência completamente diferente, que me deixou imensamente tranquila com a minha indicação. Quando eu interrompo um trabalho de parto porque alguma coisa saiu errado e uma cesariana é necessária, em geral, sou dominada pela mesma frustração que toma conta da gestante e do acompanhante. Mesmo entendendo que algumas vezes não dá certo, é muito complicado eu me programar para um caminho e precisar mudar a rota. Especialmente quando você gosta muito de parto e também de ter o controle das situações.

Doce ilusão! Obstetrícia é “fora do controle”, a típica caixinha de surpresas. Independente de como as coisas caminhem, você nunca tem 100% de domínio. Aliás, nosso domínio não chega nem perto disso. Sempre, vejam bem, SEMPRE, precisamos ter um plano “B” e, mais importante, estarmos preparados para colocá-lo em prática.

Meu retorno das férias foi a todo vapor. Parto normal a jato, que complica no final, parto normal, BEM NORMAL, cesariana de urgência por complicações fetais, pélvico rompendo bolsa, plantões bombando, sobreaviso chamando, partos óbvios virando desproporções … ou seja, a obstetrícia como ela é.

Então, surge aquele trabalho de parto redondinho, com uma Doula incrível, contrações regulares, bolsa íntegra, mamãe e papai super dispostos. Hora de ir para o Hospital, afinal de contas, pelo andar da carruagem, já deve estar bem adiantado. Só que não. Mesmo com uma dinâmica bem regular, o colo ainda não era dos melhores. Tudo bem, seguimos, caminhada, bola, banho, exercícios. Nada! Vamos de novo, meditação, bola, banho, exercícios … mesma dilatação. Aqui já tínhamos mais de 15h de TP, com contrações certinhas, ora mais longas, ora mais curtas.

Momento difícil, que você precisa deixar suas “paixões” de lado e assumir uma posição bem “médica” mesmo, racional. A monitorização do bebê não era muito boa, os batimentos estavam dentro da normalidade, porém não tinha muita variabilidade, as contrações eram curtas, já não tão fortes, precisamos avaliar o líquido amniótico. Rompemos bolsa, o líquido era bem verdinho, ou seja, mecônio, já não tão recente. O bebê precisava nascer. Como a dilatação ainda era de 4cm, apresentação bem alta e com MAP não tranquilizador, a via de parto seria uma cesariana.

Foi aqui que a paciente começou a me surpreender. Ao invés de sofrer, chorar, ter medo ou, mais comum, frustrar-se, ela recebeu a notícia com um sorriso, não de alívio, ela queria parto, esta não era a via de escolha, mas ela entendeu que era a via necessária, que o risco de seguir em frente não valia mais a pena.

Tudo foi tão bonito e tão intenso, mesmo sendo uma cesariana. A sala de cesariana foi preparada para a chegada do bebê, com diminuição das luzes, contato pele a pele logo após o nascimento, permanência com a mãe. Aquela choradeira que eu adoro, bebê saudável, APGAR (nota que o bebê recebe no 1º e no 5º minutos após nascimento) 10/10. Um final feliz. Zero frustração, só alegrias.

Voltei para casa feliz, tranquila com a minha decisão. Mesmo quando você indica cesariana por necessidade, não é fácil. Sempre fica aquela sensação de “e se”. Especialmente quando o desejo materno é parto, o pai quer parto, têm doula… Normalmente eu volto destes trabalhos de parto frustrada, “triste”, mas desta vez não.

Resolvi “narrar” este episódio para que outras mães se preparem para um plano B e entendam que ele pode ser necessário e vai ser uma experiência incrível. O mais importante de tudo é garantir que a saúde da mãe e do bebê não seja colocada em risco em prol da via de parto. Podemos sim ter uma cesariana humanizada, com diminuição das luzes da sala no momento do nascimento, contato pele a pele, manutenção deste contato por um tempo, pai presente e participante.

Enfim, o parto é, na maioria das vezes, a melhor via para o bebê nascer. Porém, não é a única e quando é preciso fazer uma cesariana é preciso ter calma, pensar mais com a razão e tentar não sofrer, antes, durante ou depois. Tentem não remoer os fatos, não pensar em “como poderia ter sido”. Não foi, ponto. Diferente de cesarianas eletivas, as indicações por urgência ou emergência servem para garantir a saúde da mãe e do bebê.

Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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