Entenda sua dor!


Quando surgiu a ideia do blog, minha intenção era falar de questões do meu dia a dia, dúvidas, perguntas, medos, inseguranças … enfim, o dia a dia das gestantes. No início eu tinha uma série de ideias acumuladas, agora já falei tanto que parece que esgotei o assunto. Então, acabo usando experiências da minha rotina diária para seguir postando. Por isso, algumas vezes, além da falta de tempo e tenho uma “amnésia de ideias”.

Hoje eu resolvi escrever sobre um tema que eu amo, PARTO NORMAL. Acredito que já falei sobre isso antes … De verdade, eu adoro este assunto. Porém hoje, minha abordagem será um pouco diferente, mas também embasada em algumas vivências dos últimos dias de plantão.

Uma verdade absoluta: ter um filho dói. Independente de ser parto normal ou cesariana. É impossível passar pelo processo de gestação, parto e puerpério sem sentir, pelo menos, um pouco de dor. Lógico, a experiência de dor varia muito de pessoa para pessoa, talvez por isso algumas acabam achando mais fácil, outras nem tanto.

Já perdi as contas de quantas vezes eu atendi pacientes que chegaram no hospital com cara de paisagem e eu pensei - alarme falso - e ela estava quase ganhando. Ou então, outras, que chegam com muita dor e saímos preparando a sala de parto e quando examino, 2cm. A percepção da dor é muito subjetiva e depende muito da experiência de cada paciente.

Tudo que eu escrevi até agora parece completamente óbvio, mas nem sempre é. A “moda” do parto normal, todas as “famosas” que postam sua experiência de parto e todos os benefícios que o parto vaginal traz para a mamãe e para o bebê fazem com que, cada vez mais, a mulheres escolham ter um parto normal. Graças a Deus e a Nossa Senhora do Bom Parto. O problema é que nem todas estão prontas para esta escolha.

Quando a gestante e sua família decidem viver a experiência de um parto normal, mais do que dizer pra todo mundo “eu quero normal”, você precisa de fato se preparar para esta experiência. Atenção, preparar-se para viver um trabalho de parto, de verdade, não só ler relatos e ouvir histórias bonitas de parto.

Calma, não quero ser chata, ou terrorista, muito menos parecer cesarista, por favor, NÃO. Só acho que a parte de querer parto normal, em alguns casos, envolve mais estar na “moda”, fazer o politicamente correto, ou o ser admirada pelas amigas, ou citada nas conversas - fulana foi demais, teve parto normal - do que entender de fato os benefícios que ele traz.

É muito importante entender o processo de gestar e parir, além de querer gestar e querer parir. É preciso entender que as mudanças que acontecem no nosso corpo e mente durante os 9 meses de gravidez são enormes, não tem como passar por elas ilesa, sem sentir nada, só tirando fotos, fazendo enxoval e o book de gestante.

Outro dia eu atendi uma paciente no plantão, que chegou em franco trabalho de parto. Aquelas contrações que são o sonho (parideiras me entenderão) de todas as gestantes que querem parto. Felizmente, ela também queria, ou pelo menos achou que queria até o momento que as contrações se tornaram regulares.

É exatamente sobre isso que eu resolvi escrever hoje: você precisa se preparar para as dores do parto. Afinal de contas, cedo ou tarde elas vão chegar e, quando isso acontecer, você precisa manter o foco do parto normal e não desistir. A dor precisa ser o obstáculo a ser vencido para atingirmos um objetivo, não o ponto final.

Não existe dor comparável a dor do parto. Não porque ela seja mais forte ou pior que todas as outras, mas porque ela é diferente. Em todas as outras situações, a dor indica que tem algo de errado conosco, mas nesta não. A cada dor do parto você percebe que o momento tão esperado está chegando. Conforme elas ficam mais fortes, mais e mais perto você está de se tornar, de fato, mãe. A dor do parto vem para avisar que algo incrível está para acontecer. A dor é a portadora de boas novas, com todos os poréns de ser uma dor, mas é isso mesmo.

Quando entramos no trenzinho do parto normal não tem volta, as contrações podem demorar a tomar ritmo, mas quando entram nos tão famosos 3/3 minutos é preciso muita maturidade emocional para seguir em frente. Mesmo em tempos de analgesia, banho, bola, massagem, vocês precisam aceitar que a dor vai estar presente no trabalho de parto. Muito mais do que isso, vocês precisam entender que ela é o caminho entre estar gestante e tornar-se mãe.

Aceitar a dor é o primeiro passo para ter controle do corpo e da mente, conseguir passar por um trabalho de parto de uma forma mais plena, mais tranquila e mais fácil, se é que se pode chamar assim. Manter o corpo relaxado, mesmo com dor, não é uma tarefa simples, mas é necessário para que fisiologicamente as coisas aconteçam da melhor maneira possível. Aceitar que você vai sentir dor faz com que você entenda e aceite os seus limites. Saiba quanto pode suportar e quando você vai precisar de ajuda, farmacológica ou não.

Então mamães, futuras mamães e tentantes, tentem um parto, permitam-se viver a experiência de um parto, ela é absolutamente incrível. A sensação do “eu consegui”, de controle do corpo e da mente, de parir um filho, não tem preço. No entanto, antes desse dia tão planejado, preparem a mente para a dor. Aceitem que ela vai chegar, mais ou menos forte, de supetão ou devagarzinho, mas ela vem, sempre vem. Nosso corpo e mente precisam estar prontos para este momento.


Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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