2014 x 2018

     Esta semana tivemos uma chuva de comparações 2009 x 2019 e as que mais me chamaram atenção foram aquelas que tinham a ver comigo em 2009 e agora em 2019. Minha vida mudou completamente, para melhor, mas bem diferente. Eu não gostaria de viver como há 10 anos atrás, mas confesso que sinto falta de algumas coisas, até bem simples, como dormir sem ter hora para acordar, ou então poder ir ao cinema sem fazer um planejamento monstro, ou comer o que eu quiser a hora que eu quiser.

   Os filhos chegam na nossa vida com um aviso prévio de 9 meses. Pensando racionalmente, é tempo mais do que suficiente para você aceitar, entender e aprender que a vida vai mudar depois deles. Doce ilusão. Para piorar as coisas, ainda temos aquele período de licença maternidade (que é ótimo), mas te dá uma falsa impressão de que vamos dar conta de tudo depois que voltarmos ao trabalho. Pobres mães. Quando chegou o dia de voltar de fato, tipo força total, eu nem lembrava mais como fazer maquiagem, combinar sapato com roupa ou então levar alguma coisa para comer.

      Por incrível que pareça, uma das coisas que mais “me atrapalha” (leia com carinho) é o trabalho. Antes da Alice eu trabalhava sem olhar para o relógio, nem na saída, nem na chegada, simplesmente ia trabalhar. Agora eu preciso planejar meu tempo e algumas situações são implanejáveis. Já perdi a conta de quantas vezes eu estava em um trabalho de parto e precisei arrumar alguém para buscar a Alice na escola, ou então precisei sair voando pro Hospital com ela e sua mochila a tiracolo.

     Dá uma trabalheira danada fazer esta organização, ter uma rede de apoio ou fazer um “se vira nos 30” com um trabalho de parto em andamento ou quando o consultório passa do horário. No entanto, é fundamental que tenhamos uma vida além dos filhos, mesmo que isto signifique ir para academia, fazer as unhas ou dormir a tarde toda, enquanto eles estão na escola.

     Eu nunca tive horário comercial, ainda não tenho, mas hoje eu preciso respeitar o “horário da escolinha”. Precisei adaptar o consultório a esta nova rotina. Não foi fácil, precisei fazer minha vida render no período da manhã. Consegui abrir mão de algumas manias e aprendi que eu preciso de ajuda para algumas coisas, não tem como ser dona de casa, fazer feira, estar bem arrumada, ser mãe, plantonista e Obstetra, tudo junto, em 24h. Porém, para tudo sempre tem um jeito e hoje eu “me viro nos 10”, nem preciso mais 30.

     Já consigo me organizar bem melhor. Digamos que eu já “peguei o jeito”. Ainda sofro um pouco com tudo isso. Especialmente quando combino alguma coisa com ela e preciso descombinar (super comum). Corta o coração ouvir ela dizendo “vai trabalhar de novo mãe? Você só trabalha, trabalha, trabalha ... Todo dia nascem bebês?“. 

    Acho super importante conversar com eles, mesmo quando não entendem nada, explicar que vamos sair, mas logo voltamos, que trabalhar é importante, que faz parte da vida. Alice sabe que eu trabalho, que meus horários são meio doidos e nem sempre sou eu que vou pegar ela na escola, mesmo que esse tenha sido o combinado. Eu amo meu trabalho, não saberia ser mãe em tempo integral, então eu tenho várias combinações com ela. Até agora está dando tudo certo. Acredito que eu sofra bem mais do que ela.

     Lógico que algumas situações “sem filhos” são muito mais fáceis, talvez a maior parte delas. Não ter filhos nos possibilita uma vida com bem menos planejamento, mas, para aquelas que sonham em ser mães, a vida com eles é infinitamente melhor. Só acho importante que vocês não se “apaguem” pelos filhos. Eles precisam entrar nas nossas vidas e não comandarem as nossas vidas. Quando passamos a viver a vida somente pelos filhos, em algum momento esta “vida” vai cobrar o preço. Não adianta se dar conta depois que os filhos crescem que poderia ter feito um montão de coisas com eles. É preciso fazer.   

       Resumindo, é tudo uma questão de adaptação. Nossa, com as novas rotinas e deles, com as NOSSAS rotinas. Eu cresci com uma mãe que trabalhava igual uma doida e não me considero prejudicada por isso. Muito pelo contrário. Ela sempre foi meu maior exemplo de garra e determinação. Uma mulher forte, que levava uma vida corrida, mas sempre arrumava um tempo para as filhas. Em momento algum eu achei que ela me amava menos por trabalhar tanto. Talvez por isso hoje eu seja uma cópia fiel dela, inclusive na minha escolha profissional.

     Então mamães, aceitem que a vida que vocês levavam antes dos filhos não vai mais voltar, faz parte de um passado bom, mas que já foi. Agora é uma nova vida, muito mais trabalhosa, que exige um mínimo de organização e muita dedicação, mas que pode ser tão ou muito mais legal do que aquela de antes. Desde que vocês façam adaptações e não se privem completamente das suas rotinas em prol dos filhos.

 

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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