"Vida normal"


O tema do blog hoje é um pouco diferente. Esta foto foi tirada em julho de 2015, eu estava com 34 semanas de gestação. Foi um caos conseguir “liberação” da minha mãe para ir ao jogo, mas deu tudo certo. Foi uma das muitas vezes que fui ao Beira Rio acompanhada pelo meu barrigão. Como sou casada com um gremista, ia ao estádio com amigos ou, muitas vezes, sozinha, mesmo quando estava grávida. Hoje em dia, incentivada pelo Thiago, eu entrei numa torcida organizada, a Força Feminina Colorada. Então, nunca mais assisto aos jogos sozinha.

Vou usar os jogos do Inter na tentativa de incentivar as mamães para voltarem às suas atividades, sem carregar aquela culpa gigante que nasce junto com a descoberta da gestação. Não acho que seja fácil, muito menos que seja possível voltar a ser como antes. Porém eu acho muito importante ir, aos poucos, retomando nossa vida “sem filhos”.

Depois que viramos mães, nosso lado mulher fica completamente de lado. Raríssimas são aquelas que conseguem manter uma rotina “normal”, ou pelo menos parecida, com a vida antes dos filhos. Confesso que não conheço nenhuma e, caso alguém leia este texto e seja assim, gostaria de marcar uma consultoria.

Levou tempo para eu aceitar que ela sobreviveria sem mim por 2h, no máximo 3. Hoje em dia ela já sabe que “domingo a mãe vai no jogo”. Eu vou a pé ou eles me deixam perto do estádio, depois me buscam. Ela sempre me pergunta se o Inter ganhou ou perdeu, para ter um termômetro do meu humor. E ela diz: “Ah mãe, então tu tá feliz”.

Usei os jogos, mas poderia ser unha, cabelo, ginástica, um encontro semanal com as amigas... Enfim, qualquer coisa que nos remeta a vida antes dos filhos. Precisamos e, mais importante, merecemos voltar a uma rotina minimamente normal depois que eles nascem. Faz bem para a alma ter 1 hora inteirinha só nossa, sem ninguém chamando, chorando ou pedindo colo. É saudável para as mamães e também para os bebês. Imagino que muitas mamães e papais podem estar me achando uma bruxa, mas tentem ler com carinho, abram os olhos e o coração…

Quando a Alice nasceu eu diminuí o ritmo de trabalho por mais ou menos 1 ano. Fiquei com ela todas as manhãs e algumas tardes. Minhas refeições eram irregulares, eu não fazia nada de atividade física, unha e cabelo estavam um caos e eu sofria muito quando precisava sair para um parto. Com o tempo eu entendi que ela ficava bem sem mim e voltei a fazer algumas coisas.

Lógico, raramente saímos a noite (talvez nunca, até porque não gostamos), mas amamos cinema, por exemplo. Então adaptamos o horário do cinema ao horário do soninho dela após o almoço. Ela fica com a avó, almoça, faz a soneca e a gente curte nosso “vale filme”. Arrisco dizer que raramente perdemos uma estréia dos nossos filmes preferidos.

Mesmo aquelas que amamentam exclusivo (eu também fazia) conseguem sair de casa por um tempo sem que o bebê passe fome. É possível organizar a saída no intervalo das mamadas, ou então deixar seu próprio leite na geladeira para uma emergência. Aliás, aconselho todas as mamães que amamentam exclusivamente no peito a deixarem uma “reserva” de leite congelada ou na geladeira para casos de emergência. O pânico de precisar sair e o bebê não aceitar a fórmula não vale a pena.

Uma das coisas que eu aprendi com o tempo é que, mesmo que você esteja livre de tarde, se ela estiver na escola, ou com a babá, ou na casa da avó, você pode tirar um tempinho para cuidar de si ou então bater perna no shopping, ou dormir um pouco, ver um filme... Seu tempo livre não precisa ser convertido, imediatamente, em tempo com o filho/filhos.

Toda essa narrativa é para deixar as mamães mais calmas, mais livres para saírem de perto dos seus bebês para fazer as unhas, arrumar os cabelos, fazer ginástica ou, simplesmente, tomar um banho bem demorado. Além de fazer bem para o nosso corpo e alma, também é saudável para os bebês “desgrudar” um pouco. Eu levei muito tempo para me dar conta do quanto essa liberdade temporária era importante. Espero que meu texto encoraje as mamães a fazerem isso mais cedo.

Não imagino que seja possível voltar com força total a vida de antes dos filhos. Confesso que nem sinto vontade de sair sem a Alice para programas noturnos, festas ou encontro com as amigas. Em geral reunimos o pessoal lá em casa mesmo. Colocamos o papo em dia e as crianças se divertem. Porém, fazer alguma coisa por nós mesmas, sem pensar nos filhos ajuda bastante.

No meu caso, acho que o jogo é um momento só meu, onde eu extravaso todo meu cansaço e volto a ser um pouco aquela Maria Fernanda de antes da Alice. A Força Feminina me ajudou muito, pois todas gostam de futebol como eu e me fazem sentir acolhida no estádio, menos culpada e nunca sozinha. Talvez, com o tempo, ela comece a frequentar o estádio comigo, mas por hora sou só eu e minha paixão Colorada. É meu momento não mãe. Depois do jogo volta tudo ao normal. Volto pra casa correndo, arrumar mochila, dar banho, colocar pra dormir e acordar com força total no dia seguinte.

Sugiro que todas as mamães tenham algum passatempo sem os filhos, um tempinho só seu. É preciso muita logística, uma equipe de apoio, celular carregado e, acima de tudo, muito preparo psicológico para ficar longe dos pequenos. No entanto, vale muito a pena, renova as energias.

Fazendo uma comparação com o trabalho de parto, talvez seja aquela hora durante o trabalho de parto, quando você já está exausta e alguém sugere um banho quentinho, ou uma analgesia, vocês aceitam e depois de um descanso merecido voltam com força total para seguir em frente.




Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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