Relato de parto - Paula de Fraga (parte 2)


... Continua

Pródomos:

Domingo meus sogros vieram almoçar em nossa casa para comemorar o aniversário da minha sogra, passamos um dia tranquilo e divertido...a tarde tomamos banho de piscina, e na piscina mesmo senti uma cólica diferente...pensei comigo, hoje tem troca de lua...pode ser um sinal essa cólica.. fiquei de olho, não falei nada pra ninguém! Pelas 20h todos foram embora e contei ao meu esposo oque tinha sentido no decorrer da tarde, pensamos juntos...vamos nos recolher e descansar! Lá pela 1h da manhã uma cólica chata me acordou, levantei e fui procurar a lua no céu, lá estava ela!! Linda...avisando que ia começar...e de fato foi assim! Lá pelas 3h já percebi que eram contrações de fato, comecei a monitorar no aplicativo do celular e acordei meu esposo pra me ajudar. Passamos a noite tentando dormir entre uma contração e outra, eram bem espaçadas, 20 minutos...15 minutos...durações curtas de média de 30 segundos. Amanheceu segunda feira, meu esposo não foi trabalhar, passamos o dia todo fechados dentro de casa, com as janelas fechadas pro sol não entrar. Enviei uma mensagem para a obstetra avisando que os pródromos iniciaram, perguntei se precisaria ir à maternidade fazer a avaliação de acompanhamento que seria na terça feira, ela pediu pra esperar até quarta já que tínhamos sinais...informou que na terça feira à partir das 8h da manhã estaria de plantão na maternidade.

Contatamos nossa doula, ela analisou as contrações do aplicativo e confirmou ser pródromos, poderia demorar alguns dias ainda pra engrenar...sugeriu fazer o chá da Naoli, e um escalda pés. E assim seguimos, tomei 1 caneca do chá (que ao meu gosto é forte mesmo, sabor picante), a receita rendeu 4 canecas ao total, não consegui tomar mais de 1! As contrações aos meus olhos e sentidos era como uma cólica menstrual bem forte que de fato se pararmos pra olhar ela de frente, entramos na onda, seguimos o fluxo e ela vai indo embora devagarinho...

Anoiteceu segunda feira, aí elas começaram a ter ritmo...sempre monitorados a distância pela nossa querida doula, até que por volta das 2h da madrugada pedi pra chamar por ela... estava difícil lidar com a dor...ela sugeriu o chuveiro, 1h enquanto ela vinha até nosso encontro para trabalharmos juntos. Todo esse período meu esposo esteve comigo, por diversos momentos me senti pendurada no pescoço e braços dele, minhas pernas perdiam as forças e precisava do sustento dele pra prosseguir.


Trabalho de parto:

Por volta das 3h a doula chegou, lembro de vê-la, vestia uma blusa rosa e sorriu pra mim e veio na minha direção com um bom abraço! Chegou com seu rebozo que foi nosso bom amigo na madrugada... muita massagem, bola... certo momento ela sugeriu me deitar um pouco e tentar cochilar, mas deitada a dor era terrível, tentei por um tempo e tive que levantar...sentada também era horrível, de pé e debruçada na bola de pilates eram as melhores opções. Recordo da Verônica pedir pra ver se se eu tinha a linha púrpura (que tanto ouvi falar, e que não são todas as mulheres que tem), e não é que eu tinha? Tiramos foto, claro! Meu esposo em certo momento da madrugada foi dormir um pouco, ficamos na sala eu e a Doula, recordo que certa hora ela me pediu pra fazer um exercício de spinning baby onde ficava ajoelhada no sofá e colocava os antebraços no chão, para ajudar no processo. Passamos quase todo o tempo no silêncio da madrugada, eu não fiz playlist pois sabia que a música poderia gerar irritação e tirar o foco...a Verônica sugeriu ouvir um pouco a playlist dela, nem sei quantas músicas tocaram... rsrsrs

Amanheceu o dia, mais chuveiro pra alívio, até que a Verônica sugeriu irmos nos encaminhando para maternidade (mais ou menos 1h entre nossa casa e o Divina Providência, mas isso já eram 8h da manhã...horário de movimento na estrada...poderia demorar mais pra chegar). Meu esposo preparou um café da manhã pra que fizéssemos uma boa refeição (sabíamos que a fome chegaria na maternidade), recordo de ter comido torrada, mamão e uma xícara de café com leite. O Daniel e a Verônica ficaram impressionados que mesmo com contrações consegui comer tudo isso e não tive ânsia para vomitar. Vesti uma roupa e saímos de casa, as coisas já estavam todas dentro do carro desde a madrugada. Quando entrei no carro pensei comigo, se eu for com os olhos abertos vou perceber tudo em volta e pode estagnar o trabalho de parto, ou a dor me dominar por estar trancada no trânsito. Abrimos o waze no celular para nos dar a melhor opção para o horário, meu esposo foi dirigindo, a doula do meu lado. Optei por ficar sentada. Fechei os olhos e me desliguei do mundo, em raros momentos espiei pro celular pra ver quanto tempo faltava segundo o aplicativo...isso me acalmava! Chegamos na maternidade perto das 10h da manhã de terça feira, quando desci do carro não consegui dar um passo, me senti presa no chão, uma irmã do Hospital ia passando e ofereceu uma cadeira de rodas, eu precisaria dar uns 10 passos até a calçada onde a cadeira conseguiria chegar. Aceitei!

Subimos o elevador, chegando na recepção fomos informados que nossa médica já nos aguardava e nossa sala PPP estava pronta! Meu esposo fez a internação e nos dirigimos à sala de parto.Em seguida chega Dra Maria Fernanda, recebo os primeiros atendimentos e no toque constatamos 8 cm! Falta pouco!! Fiquei imensamente feliz por estar mais perto...Chuveiro, bola, massagem, rebozo...seguimos assim por horas, recordo que no banho ouvia em momentos diferentes bebês chorando e eu pensava, já nasceu mais um...eu estou aqui ainda...durante todo o tempo que estive em trabalho de parto eu sentia uma única necessidade forte, fazer cocô! Falei pra equipe, pedi diversas vezes pra ir ao banheiro, mas nada, não tinha cocô. Todas as mulheres que passaram pela sala (GO, EO, doula...)me disseram se normal, era o indicativo do expulsivo, minha filha estava no canal e comprimia o reto dando a sensação de ir ao banheiro, mas eu não conseguia canalizar a vontade no lugar certo, isso me afligiu todo o trabalho de parto. Feita nova avaliação nada tinha mudado, e pior, havia criado um edema no colo, oque dificultava a dilatação e descida da Helena. Sugerido repetir o exercício de spinning baby feito pela manhã e mais chuveiro. Comecei a sentir fome, mas só era oferecido água, gelatina e suco...acho que eram umas 15, 16h quando a Verônica foi comer na lanchonete, pedi ao Daniel que fosse junto, ele não quis sair do meu lado. Um pouco depois nossa enfermeira obstetra Ana, que foi um anjo conosco, foi em busca de um lanche pro Daniel e uma banana pra mim...rsrsrs

Após mais algumas horas a Dra Maria Fernanda avaliou a evolução do TP e constatou que nada mudou, eu conseguia conversar, minhas contrações não tinham mais ritmo, foi sugerido 1h de ocitocina pra engrenar as contrações e tentar mais uma vez o exercício pra Helena voltar e encaixar novamente, mas não adiantou...Avaliamos o edema e não havia cedido, constatou -se que a Helena entrou com a cabeça tortinha no canal de parto (onde nasceu com uma pequena bossa que sumiu depois de poucas horas) e que a última opção poderia ser analgesia para tentar reduzir o edema, mas isso não era garantia de um parto normal, poderíamos precisar de episio, fórceps e não dar certo.

A Dra pediu pra avaliar os batimentos do bebê na próxima contração, pois a bolsa havia rompido na maternidade e tinha mecônio no líquido, a coloração não era preocupante, mas era preciso avaliar os batimentos com mais frequência.

Ouvimos os batimentos antes e na contração, onde foi observado que os batimentos caiam muito durante a contração e já não poderíamos mais esperar! Fomos comunicados que nossa cesariana seria em 30 minutos. Fiquei apavorada, pedi pra Dra pra conversar com a doula e meu esposo. Discutimos oque estava acontecendo e acolhi no meu coração que naquela hora eu já não tinha mais meu sonhado parto natural, a vida da minha filha dependia de uma cirurgia, uma cesária intraparto.

Precisava fazer xixi para não colocar a sonda,tive muita dificuldade mas consegui.

Caminhei até a sala de parto enquanto meu esposo ia trocar de roupa, sentei na maca para receber a anestesia. Bem na hora que sentei mais uma forte contração e pensei comigo se essa dor iria acabar logo. Recordo da Dra Maria Fernanda vir me dar um abraço e me falar palavras de conforto antes de iniciar a cirurgia.

Anestesia na coluna, deitei rapidamente e a dor passou, comecei a perceber que não sentia mais movimentos do peito pra baixo. A anestesista sempre me dando informações do que fazer e se me sentia bem. O Daniel chegou e sentou ao lado do meu rosto. Iniciada a cirurgia a luz da sala baixa, tocava uma música tipo caixinha de música...A Dra avisa que está na hora, abaixa a janela do campo pra que eu possa ver minha filha chegar.

Meu esposo fica de pé pra olhar por cima do campo. Ela chega, e chora com um pouco de dificuldade, vejo ela perto de mim mas não pego ela ainda, a Dra avisa que o cordão parou de pulsar, corta e o pai a acompanha para avaliar na salinha ao lado e em seguida volta com ela, onde é colocada sobre o meu peito. Lembro de cheirar bem ela pra saber como é o cheiro do vernix, não consigo perceber...meus braços tremem muito, como se estivesse com muito frio e não consigo ficar segurando ela sobre mim. Me questionam se vou amamentar ali e eu pedi que naquele momento não, não me sentia bem com a anestesia. O Daniel então acompanha ela pros procedimentos de pesar, vacinas...senti muito medo da cirurgia na hora, foi tudo muito rápido, e sendo realista, senti medo, medo de tudo...da morte principalmente, por mim, por ela...

Na hora do nascimento nos perguntaram se queríamos fazer foto, recordo de dizer que não, eu me sentia mal com tudo oque estava acontecendo, tremia...tinha medo...A foto clássica de uma cesariana da família junto não tivemos...O Daniel que se alertou e fez uma foto por cima do campo, é o registro da chegada dela que conseguimos fazer!

Dali fui pra sala de recuperação onde o Daniel chegou em seguida com nossa filha nos braços e nossa família se completou. Na sala de recuperação segui trêmula como se estivesse com muito frio, pedi um cobertor para ajudar, mas era efeito da anestesia. Perguntaram se eu iria amamentar ali, pedi pra ser somente no quarto quando o efeito da anestesia passasse. As 1:30 da manhã fomos para o quarto, era semi privativo e estávamos somente nós.

Uma enfermeira veio ajudar a me virar de lado pra amamentar, foi muito difícil, mesmo sabendo a teoria, de cara ela pegou errado e só foi machucando o peito até a alta. Na maternidade várias enfermeiras passaram pelo nosso quarto para ajudar na amamentação, mas de fato quase ninguém sabia mesmo ajudar. No dia seguinte a Dra veio nos ver, olhou o corte da cesária e tirou o curativo, era só lavar bem e secar. Conversou conosco sobre nosso dia anterior e nos disse palavras carinhosas! Nossos dias na maternidade pareceram uma eternidade, nossa pequena chorava muito (e com 28 dias ainda chora muito), desde o início acreditamos ser dor de barriga/cólicas, mas só com o tempo de amamentação pra melhorar. A noite ouvíamos outros bebês gritando igual a ela, o choro ecoava pelo corredor. Na quinta feira o Dr Claudio Campello veio nos dar alta, deu as instruções e aconselhou sobre os machucados nos seios. A Helena tomou banho no dia seguinte ao nascimento, fomos respeitados em todos os desejos do plano de parto. Aceitamos aplicação do colírio nos olhos devido ao rompimento de bolsa+mecônio. Ela tomou a injeção de vitamina k e a vacina de hepatite ainda na maternidade. Foi feito o teste da orelhinha e do coração.

Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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