Doação!


Há algum tempo eu tenho vontade de falar sobre isso, mas nunca consegui sentar e escrever de uma forma clara e não grosseira o que eu pensava. Acho que hoje eu consegui (tentei). Uma palavra define muito a maternidade - DOAÇÃO. Vocês conseguem imaginar um ser que se doe mais do que uma mãe? Em todos os sentidos. Com todo o respeito aos pais, que são fundamentais, mas não existe ninguém no mundo que consiga fazer o que uma mulher-mãe faz. Isso é instinto, não adianta querer mudar ou tentar doutrinar outras pessoas. Só as mães são assim.

Eu já acho que ser mulher é incrível. Uma vez ouvi uma definição tosca, mas boa: “alguém que sangra uma vez por mês e fica tudo bem tem que ser muito forte”. Aí, além de ser mulher, trabalhar todos os dias, em casa ou na rua, você resolve ficar grávida e se torna mãe, acumulando todas as responsabilidades dessa nova função como se elas fizessem parte da vida desde sempre. Magicamente você se transforma numa super mulher e consegue dar conta da casa, do trabalho e dos filhos, muitas vezes sem ajuda de ninguém.

Não quero ficar fazendo discurso feminista, não acho que as mulheres sejam melhores ou piores, ou mais guerreiras, que os homens. Só acho - tenho certeza - que ser mulher é diferente. Mais ainda, quando decidimos ser mães, as coisas ficam um pouco mais difíceis. Você vai precisar daquela tal logística básica do dia a dia para dar conta de seguir uma vida minimamente normal, trabalhando, estudando, cuidando da casa, dos filhos, do marido, cachorros, cabelo, roupa, maquiagem, depilação…

As coisas já complicam na gestação. Você precisa fazer tudo que você fazia antes de estar grávida, agora com um acréscimo de 5, 10, ás vezes 15Kg. Eu lembro de um dia que tentei subir 3 lances de escada, com 32 semanas e meu oxigênio sumiu e eu pensei: como assim, eu faço isso todos os dias, o que foi que deu errado agora? Pois então, tornar-se mãe é um desafio.Mamães, parem 3s agora e tente contar quantas vezes, desde que o bebê nasceu, vocês se planejaram para fazer xixi. Imagina, xixi é fisiológico, você sente vontade, acha um banheiro e ponto. Nada disso mamães, com filho a logística é bem diferente. Quem nunca levou o bebê conforto para o banheiro? Quem nunca trocou o seu xixi pelo xixi do pequeno, ou então pelo mamá, pela papinha, pela brincadeira…

Ser mãe é incrível. Você consegue cortar as unhas, dar banho, dar janta e colocar para dormir num intervalo récord. O marido leva, no mínimo, 3h para fazer o que você resolve em 30 min, no máximo. Nos tornamos ágeis, extremamente fortes - física e psicologicamente - e muito, muito, muito altruístas.

Altruísmo, talvez esta seja a palavra chave para uma maternidade mais tranquila. Você precisa entender que aquela pessoa que está crescendo dentro de você, “sugando” parte das suas energias e dependendo inteiramente de você não vai te dar nada em troca, a não ser sorrisos fofinhos e o amor mais puro que você jamais experimentou. Não existem benefícios materiais, ou prêmios para você que está grávida, enjoando até do vento; ou então para você que passou 2 dias em trabalho de parto, ou teve uma cesariana e não consegue se mexer.

Outro dia eu me dei conta de que nunca ninguém me perguntou se eu estava bem depois de parir. Não que eu precisasse de cuidados especiais, ou estivesse mal, longe disso, mas eu estava dolorida, com pontos em um local bastante sensível, amamentando e com uma barriga estranha. Porém, as pessoas acham o tornar-se mãe tão normal - não deixa de ser. Às vezes ficamos um tanto “abandonadas” nesses primeiros dias. Mesmo assim, eu segui a vida, cuidando de mim, da Alice, das visitas - um dia ainda crio coragem para falar sobre isso - e da casa (com ajuda), como se nada tivesse acontecido.

A vida não parou para que eu retomasse o rumo. Simplesmente as coisas continuaram acontecendo e eu precisei ajustar os ponteiros para dar conta. Vida de mãe. Agora que eu consigo pensar com mais clareza nos meus primeiros dias, acho que eu precisava ter me cuidado mais, pedindo mais ajuda.

Eu vejo, todos os dias, mamães ficando frustradas depois que os bebês nascem porque “a vida acaba”. De fato, a vida que costumávamos ter acaba mesmo. No entanto, se soubermos aproveitar, a vida que começa é infinitamente melhor que a outra. Não existem palavras para definir o quão gratificante, incrivelmente bom e absolutamente desafiador, é ter um filho.

Quem já tem filhos vai me entender e, para quem está tentando, ou gestando, sem pânico, no final tudo acaba bem. Depois que você engravida, automaticamente o botãozinho da doação entram no “modo on”. Já o homem, na maioria das vezes, vem sem este botão. Aqueles que tem o botão passam grande parte da vida com ele desligado ou estragado. Eles não tem aquela proatividade de levantar do sofá e lavar a mamadeira, ou jogar as roupas no cesto da roupa suja.

Você entra na sala e seu radar automaticamente detecta tudo que está fora do lugar e você para tudo que está fazendo, ou adia o que iria fazer e vai atender as demandas da casa, do filho e do marido. Eu rezo todos os dias para inventarem mamadeiras auto limpantes, seria muito mais fácil. Ou então roupas que se entrassem sozinhas no cesto e não ficassem pelo caminho antes do banho.Não adianta você surtar porque faz tudo ao mesmo tempo, com sucesso. Esta é uma característica exclusiva das mulheres, que muito mais evidente quando você se torna mãe. Os homens não têm essa característica, nem vão desenvolvê-la com o passar dos anos. Já é bom aceitar isso logo para não ficar sofrendo depois.

Outra coisa que eu aprendi depois que a Alice nasceu é que, o que realmente importa, é a metade cheia do copo. Você precisa ver a vida de uma forma mais leve, mais calma, menos elétrica - essa não sou eu - para que as coisas sejam menos desgastantes. Tente fazer vistas grossas para aquela louça na pia, ou então aquela pilha de roupas para lavar, ou passar. A mamadeira não apodrece por passar algumas horas na pia (se possível de uma enxaguada).

Curta mais os filhos, não se estresse tanto por coisas que não valem a pena. Depois de uma certa idade você se dá conta que nosso bem mais valioso é o TEMPO. Mesmo quando ele é escasso, se for bem aproveitado, vale mais do que um dia inteiro livre. Antes eu me culpava muito por ficar pouco com a família. Hoje eu não reclamo mais, só aproveito cada segundo de folga, da melhor forma possível.

Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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