Planeje um parto real!


Felizmente, está na moda ter um parto normal. É legal contar para as amigas e familiares que seu filho nasceu de parto normal. Eu entendo, já tive esta sensação. Quando você diz que teve um parto normal as atenções todas se voltam para você. Infelizmente - e isso está mudando - você se torna “a diferente” no grupo. Imediatamente seu poder aumenta e você passa a ser uma espécie de referência - fulana teve parto normal.

A sensação é muito legal, ter um parto é muito legal e, de fato, você merece todos os elogios do mundo. Porém - sempre tem um porém - Acho importante começarmos a pensar em parto normal de uma forma mais real, menos mágica, menos sonhadora. É preciso entender que você constrói o poder de parir, ele não nasce com a criança.

Todos os dias eu começo pré natal de pacientes que querem parto normal. Algumas já passaram por um parto, outras têm cesariana prévia e resolveram ter uma experiência diferente, a maioria acredita que parto é a melhor opção (glória a Deus) e, algumas, são só curiosas, querem tentar.

Quando você opta por um parto normal precisa entender um detalhe básico: vai doer. Não é para ficar com medo, mas vai doer. Gestar, por si só, dói. Não quero desencorajar ninguém, nem deixar vocês com medo, ou receosas, porém, é muito importante tirar um pouco o romantismo que alguns casais criam em torno do parto normal para entender e aceitar melhor o processo quando chegar a sua vez de parir.

Querer parto normal é fundamental para que o processo dê certo. Porém também é fundamental entender que gestar dói, parir dói, não tem como ser diferente. Você precisa se preparar para o processo. Você não vai se tornar a mulher maravilha na hora de parir, é preciso cultivar este poder ao longo dos 9 meses de gestação. Até porque, mesmo que você escolha uma cesariana, abdome não tem zipper, precisamos cortar para tirar a criança e cortar também dói.

Tenho visto muitas mulheres planejando o parto perfeito, traçando metas, planos de ação, lendo muito e assistindo muito, entendendo tudo sobre violência obstétrica e sobre práticas desnecessárias, No entanto, elas esquecem do mais importante, prepararem-se para o furacão de hormônios e sentimentos e medos e dores que estão por vir. Você precisa entender que o parto pode tomar rumos diferentes daquele que você “planejou” e, principalmente, que você não terá controle total da situação, MUITO MENOS de quando as coisas vão acontecer.

Parto normal é uma caixinha de surpresas. Você pode estar sentada no sofá, vendo novela, bem tranquila, e a bolsa rompe. Ou então pode estar com contrações fortes, achando que vai nascer em casa e, quando chega no hospital, tem 1cm de dilatação. Lógico, existem aquelas mulheres premiadas que vão fazer uma avaliação porque o desconforto está maior e internam de cara, com 7cm. Estas abençoadas são a exceção da exceção, não se apeguem a esses exemplos.

Trabalho de parto, como o nome diz, dá trabalho. Em geral, muito trabalho. Não passe a gestação achando que você será uma das exceções. Acreditar na facilidade do parto não ajuda em nada o processo, muito pelo contrário, faz você sofrer mais quando as coisas não saem conforme o planejado. Mais importante do que ler sobre o processo de parto é preparar a mente para quando ele chegar.

Conversem com mulheres que viveram um parto. Peçam para elas contarem a experiência deixando um pouco o romantismo de lado. Cada vez mais eu acho importante que os relatos de parto falem da dor e dos tempos e da demora, mais do que do prazer de parir. Não que isso seja menos importante, mas precisamos tornar o parto mais real.

Encontrem um obstetra parceiro, que aceite e respeite as suas escolhas e não tente fazer você mudar de ideia. O parto normal exige tempo, paciência, disponibilidade, cumplicidade. Você precisa confiar que aquele médico escolhido vai respeitar as suas escolhas e não tentar mudá-las quando suas necessidades pessoais forem outras. Abram a mente para o plantão obstétrico.

Quando for possível, tenha uma Doula. Ela vai te mostrar o parto de uma forma real, vai estar ao seu lado quando as contrações apertarem e vai ajudar a encarar as dores de uma forma menos angustiante. Além disso, elas conseguem perceber melhor o momento de ir para a maternidade. A Doula não vai romatizar o processo, nem desmerecer a sua dor, mas vão te ajudar a compreendê-la e aceitá-la como um meio de chegar ao objetivo final, sem tirar a magia do momento.

Visite a maternidade na qual você pretende parir. Ambientar-se com o local torna o dia do parto menos “estranho”. Fale com mulheres que tiveram bebê no mesmo lugar que você escolheu. Nem sempre o mais famoso tem os melhores cuidados. Veja se as condições de parto são boas, se a estrutura é adequada. Mais do que isso, veja se as rotinas são favoráveis a um parto normal.

De nada adianta você passar 9 meses querendo um parto e buscando informações sobre o parto se não se prepararem física e emocionalmente para o que está por vir. Costumo dizer que, em algum momento, você vai pensar em desistir, normal. A dor faz isso com as pessoas. O que vai te fazer seguir em frente é o entendimento que você tem sobre o parto. Entender que ele causa dor e não sofrimento e ela vai passar, completamente, acreditem em mim. Preparem corpo e mente para o parto. Entendam que não existe um plano de parto perfeito, que vocês não vão ter controle de tudo. Fico muito triste quando um casal passa 9 meses querendo um parto, mas muda de ideia quando chegam às 39 semanas e o bebê não nasceu. Querer parto normal inclui entender que é imprevisível, ou então estar aberta a possíveis mudanças de plano, às vezes necessárias.

Seja paciente. Quando você escolhe ter um parto normal, não fixe uma data limite. Se você quer que seu bebê nasça em determinado período, num dia específico, ou seja de peixes ao invés de aries, talvez seja hora de rever sua escolha. Quando está tudo bem, mãe e bebê bem, podemos levar a gestação até 41 semanas. Na maioria das vezes nasce antes, mas essa não é uma regra.

Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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