Relato de parto: Clara Albuquerque


Tudo transcorreu muito bem na gestação, sempre estive muito tranquila, achando que saberia quando a hora estivesse chegando. Quando a Dra Maria Fernanda brincou comigo para que meu bebê esperasse ela chegar, nem passou pela minha cabeça que ele não esperaria, afinal, ela voltaria de férias quando eu estivesse com 38+3 semanas, portanto não haveria problema eu sair de Porto Alegre e ir para Santa Catarina com 37+5 (mas obviamente haveria...)

Na minha cabeça ele só viria com 41 semanas, o colo do útero fechado na consulta de segunda feira e sem nenhum sinal de dilatação ou rompimento da bolsa ou saída do tampão. No meio da viagem comecei a sentir leves cólicas, mas não me preocupei, pois a viagem era cansativa e aquilo seria só um sinal de que eu havia me excedido e deveria descansar. Ao amanhecer no outro dia resolvi passear com meu cachorro, ali comecei a desconfiar de que algo estava fora do normal, pois as cólicas estavam aumentando ao invés de diminuir ou cessar. Resolvi descansar ao voltar do passeio e analisar se as cólicas passariam, algumas horas depois. Mesmo estando descansada, elas seguiram aumentando, falei ao meu noivo que gostaria de ir a algum hospital para me tranquilizar e ver se havia algum sinal de trabalhado de parto. Ao ser atendida o médico disse que eu seguia com o colo fechado mas que estaria entrando nos pródromos, me aconselhou ir para casa descansar. As cólicas não pararam e nem diminuíram, passei o restante do dia com dor significativa. Quando percebi que já não estava mais tendo controle da situação, resolvemos ir para outra clínica para confirmar se ainda estaria sem dilatação e se eu poderia viajar de volta para Porto Alegre naquela noite, a médica confirmou ambas as coisas.

Em virtude da situação, meu nervosismo tomou conta de mim e fez com que toda a situação física ficasse ainda pior, durante a viagem tive contrações de 4 em 4 minutos até chegar em casa.

Quando chegamos no Divina eu estava com 2 cm de dilatação, aproximadamente umas 10 da manhã, recebi novamente a indicação de ir para casa e voltar só quando não aguentasse mais de dor... Lá pelas 8 da noite resolvemos voltar ao hospital pois eu já estava exausta e isso diminuiu minha capacidade de suportar a dor, chegamos lá e recebi a notícia que continuava com os 2 cm de dilatação. O médico de plantão (que por sinal foi maravilhoso, Dr. Claudio Campello) me ofertou ficar no hospital naquela noite para ver se meu TP iria evoluir, assim fizemos. Após tomar um remédio para dor, o dr. me levou para a sala de pré parto para fazer exercícios na bola embaixo do chuveiro para conseguir aguentar mais um pouco sem o remédio mais forte.

A partir desse momento eu já não sabia mais que dia nem que horas eram, minha irmã estava comigo para me ajudar a suportar a dor, fazendo massagens, pois disse ao meu noivo ir para casa descansar depois de ter dirigido durante a madrugada, ele precisaria estar bem para me ajudar mais tarde. Fiquei entre banhos e cochilos suportando as contrações, mas elas vinham tomando intensidade e estava sendo cada vez mais difícil de suportá-las. Depois de horas e de tomar o medicamento mais forte, pedi para a médica de plantão (que já havia trocado o turno, Dra Bruna Furian, também maravilhosa. Aliás, todos neste hospital são) para que me desse a anestesia, pois naquele momento eram umas 16 da tarde de segunda e eu já estava exausta por não ter conseguido dormir/descansado direito.

Assim que tomei a anestesia consegui relaxar umas duas horas, foi o que eu precisava para ir com força total para encontrar meu gurizinho. A obstetra que estava me acompanhando no lugar da dra Maria Fernanda havia chegoado para começarmos meu parto, Dra Danielle me deu toda assistência necessária e foi extremamente paciente com meus pedidos de “por favor, só não me leva para uma cesárea” hahaha.

Meu desejo de parir era muito grande, sentia que seria algo para eu provar a mim mesma que conseguiria. Ao entrarmos na fase expulsiva a dra viu que ele havia virado o corpo de um modo que dificultaria a saída dele, mas não desistimos, os 7 profissionais que estavam na sala comigo, juntamente ao meu noivo, que foi essencial para me dar todo apoio emocional, estavam completamente ligados à mim e a minha vontade de parir, sentia a ocitocina contagiando todos que estavam lá, todos fazendo força comigo e me ajudando a chegar no meu objetivo.

As 19:23, Theo nasceu com 49 cm e 2,870 g e eu renasci. Foi o melhor dia da minha vida, apesar de ter passado por um longo processo dolorido, ter conseguido chegar a onde eu queria foi libertador. Só tenho a agradecer aos profissionais que foram além de profissionais, foram humanos, amigos e família naquele momento de tanto amor. Um agradecimento especial a Maria Fernanda que me incentivou e me deu confiança durante toda minha gestação! Obrigada!.

Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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