Talvez este seja o texto mais polêmico de todos que eu já escrevi. Não pretendo mudar a ideia de ninguém, nem convencer vocês de nada. Só estou expressando minha opinião e defendendo as minhas crenças. Eu acredito nos benefícios do parto normal, eu defendo o pato normal e vou continuar assim. Já fui chamada de xiita, natureba, ativista, a chata do parto normal … “tô nem aí”. Vivo e trabalho muito mais feliz, fazendo aquilo que eu acredito ser o mais adequado.

 

Salvo raríssimas exceções, nas quais existe contra indicação formal, o PARTO NORMAL é a via de maior segurança para a mãe e, principalmente, para o bebê. Embora no Brasil tenhamos uma cultura cesarista e, por isso, há muitos anos esta parece ser a melhor escolha, não é. Cesariana é cirurgia. Talvez mais rápida e menos complexa, em geral realizada em pacientes sem comorbidades, mas ainda assim, uma cirurgia e, como tal, envolve todos os riscos de um procedimento cirúrgico. Cesariana deveria ser a exceção, ser indicação obstétrica, por complicações, não a regra, como acontece em nosso país.

 

Sofri um preconceito gigante por escolher ter um parto normal. Como assim você, obstetra, que sabe dos riscos, submeter-se a um parto normal? Pior, passar das 40 semanas. Só pode ser louca. É incrível como algumas pessoas simplesmente não entendiam a minha escolha, não RESPEITAVAM minha escolha. Algumas me criticavam até por eu escolher o hospital “x” e não o “y”.

 

Justamente por eu ser Obstetra, entender os riscos de uma cesariana e os benefícios de um parto normal eu escolhi tentar. Eu tinha todos os recursos necessários para entender o que era melhor. Cerquei-me de pessoas que me deram suporte, total apoio e me ajudaram a atingir meu objetivo de uma forma linda, completamente segura e humanizada. A escolha do Hospital também teve a ver com isso. Eu precisava de um Centro Obstétrico 5 estrelas, não de um Hotel.

 

Quando optei pelo parto normal, não estava tentando provar para ninguém que eu conseguiria, ou então me sentir mais forte ou mais poderosa. Minha escolha foi embasada em evidências, em conhecimento. Eu sabia que o parto era melhor para mim e para a Alice. Por isso eu decidi tentar. Mesmo muito “em voga”, não gosto muito do tal empoderamento. A ideia não é essa, mas a palavra acaba dando a falsa sensação de que parimos só para nos tornarmos poderosas. Ser mãe é ser poderosa, não importa por onde a criança nasce. Escolha o parto normal porque é melhor, não porque te dá mais poder.

 

Há bastante tempo eu falo que a gestação, o parto e o puerpério são “públicos”. Não deveria ser assim, mas a sociedade tem a estranha mania de dar palpites. Todo mundo tem uma sugestão, uma ideia ou uma opinião para as gestantes. É impressionante como é difícil você fazer escolhas e sustentar suas escolhas quando você está grávida, ou mesmo depois que o bebê nasceu. Todo mundo sabe mais do que você, independente de já ter filhos ou não.

 

Como devemos respeitar quem escolhe cesariana, é importante que as pessoas parem de criticar e achar “anormal” ou naturebas, aquelas mulheres que decidem tentar um parto normal. Escolher parto é um direito, não um retrocesso ou, muito menos, uma involução. A Medicina evoluiu sim, mas isso não quer dizer que seja melhor fazer cesariana em todo mundo.

 

Evoluímos para tornar o parto mais seguro; para termos melhores condições de atender mãe e bebê; para sabermos quando há condição de um parto adequado, ou então quando está indicada uma cesariana. Evoluímos para que os partos possam acontecer de forma humanizada e respeitosa em ambiente hospitalar, com todos os cuidados necessários para que o bebê e a mãe fiquem bem. Ou então que seja realizada uma cesariana quando alguma coisa sair da normalidade.

 

Uma amiga me disse: “a escolha da via de parto é um acordo entre os pais da criança e o obstetra”. Eu concordo 100% com isso. Acho super normal, saudável, termos escolhas diferentes, discutirmos nossas escolhas e nossas diferenças, mas todas elas devem ser respeitadas. Dizer que a mulher escolhe parto normal é natureba, ou retrógrada, pior, que está colocando seu filho em risco é uma inverdade.

 

Gestantes já tem muitas batalhas para lutar, internas e externas. Caso você não concorde com a opção de parir de cesariana ou de parto, de amamentar ou dar fórmula, de usar fralda descartável ou de pano, ou de dormir todo mundo junto, na mesma cama, o problema é seu. Pense bem antes de confrontar uma escolha. Ela pode não ser a sua, mas ainda assim é uma escolha. Aceite e, principalmente, RESPEITE.

 

Já vivemos num mundo cheio de desigualdades, diferenças sociais e educacionais que separam as pessoas. Não deixe que suas escolhas pessoais afastem os outros. Discussões, quando saudáveis, tornam o mundo melhor. Abra seus olhos e ouvidos para as diversidades. Especialmente quando o “diferente” vem de alguém muito próximo, ou mesmo de um familiar você precisa controlar as palavras. Às vezes as suas verdades podem machucar, guardem-nas para vocês.

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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