Agosto Dourado!


Depois de usarmos fórmula em grande escala, de forma indiscriminada, percebemos que isso é um desserviço para o binômio mãe-bebê. Já perdi as contas de quantas vezes eu ouvi a frase “eu não tenho leite”, ou então “meu leite não é suficiente”. Isso acontece, eventualmente, mas não da forma como estamos vivenciando. Na maioria das vezes, o que falta é orientação e disposição para se doar e encarar os desafios e as dificuldades que a amamentação exclusiva nos impõe.

Quando você decide amamentar, abre mão das suas necessidades e do seu egoísmo em prol desse serumaninho que vai depender única e exclusivamente de você. Todo o seu tempo, sua dedicação, as horas de sono, os banhos demorados, os almoços não terminados e o mau humor típico que a privação de sono pode trazer, vão fazer parte dos seu dia a dia, principalmente nos primeiros 30 dias.

Não, não estou tentando apavorar ou desencorajar ninguém. Só estou deixando claro que amamentar não é fácil. Exige dedicação exclusiva, paciência, persistência e muita, mas muita força de vontade. Isso tudo dura o tempo suficiente para você e o bebê se adaptarem ao processo e, um belo dia, você se dá conta que amamentar já faz parte da rotina e não é mais tão cansativo, nem tão difícil. Aí então você começa a curtir os benefícios da amamentação exclusiva.

A sensação de impotência nos primeiros dias é uma constante na vida das mães. São raras as mulheres que saem do parto amamentando como se fosse a coisa mais simples do mundo. Em geral leva alguns dias para o leite “descer” de fato. Sem contar as dificuldades ocm a pega, as fissuras no mamilo e o período de adaptação entre a mãe e o bebê, que faz parte do processo.

Eu entendo que amamentar significa renunciar de muitas coisas, abrir mão de muita coisa em prol do bebê e, talvez, devesse ser uma escolha, uma opção. No entanto, a sociedade não entende assim e existe um preconceito grande com as mães que não amamentam. Assim como precisamos evoluir nas questões do parto normal, também precisamos conversar mais e preparar mais as mães para o processo de amamentar. Deixar elas mais prontas para encarar os desafios com menos sofrimento.

Acredito que a amamentação é um processo mais difícil do que o parto em si, pois exige mais tempo e mais dedicação. Não são horas em trabalho de parto, são dias, meses, noites e noites de sono perdido. Porém, vale muito a pena e tem um significado muito importante para a mãe e para o bebê.Como estamos no "Agosto Dourado" e, hoje em dia, parece tão normal trocar o leite materno pela fórmula, com o se ambos trouxessem os mesmos benefícios, resolvi retomar o tema. Vou usar um texto adaptado do Uptodate para definir melhor as vantagens do aleitamento materno:


“A amamentação traz benefícios diretos e a longo prazo para o bebê. Além de trazer melhorias no trato gastrointestinal (TGI) e no sistema imunológico, também ajuda na prevenção de doenças como a otite média aguda.O leite materno estimula o crescimento e a motilidade do TGI do bebê, favorecendo sua maturidade. Ele também estimula a colonização da flora intestinal por bactérias benéficas, em detrimento a bactérias potencialmente patogênicas. Estas bactérias são usadas ​​em preparações probióticas, que têm sido usadas para prevenir a enterocolite necrosante e para tratar cólicas e gastroenterites em crianças.

Quando comparado com a fórmula, o leite humano tem mostrado:

●Aumentar a taxa de esvaziamento gástrico;

●Aumentar a atividade da lactase intestinal em bebês prematuros;

●Diminuir a permeabilidade intestinal no início da vida em bebês prematuros;

●Diminuir o risco de enterocolite necrotizante em bebês prematuros, mesmo se o leite materno for complementado com fórmula.

A amamentação também tem benefícios a longo prazo. Embora as evidências sejam inconclusivas, em comparação com a fórmula, o aleitamento materno diminui as taxas de hospitalização, e melhora do resultado do neurodesenvolvimento. Além disso, estuda-se seu efeito protetor contra o sobrepeso e a obesidade infantil.”


Além de todos estes benefícios clínicos, também precisamos levar em consideração que amamentar consolida o vínculo entre a mãe e o bebê e, para as mamães, é um exercício de paciência e persistência, de doação, que nos deixarão mais preparadas para todos os outros desafios que a chegada de um filho nos impõe.

Eu entendo que se doar não é fácil, que amamentar dói. Exige tempo e paciência. Porém, os benefícios superam, e muito, as dificuldades. Com certeza vale investir no processo, esgotar as alternativas e buscar ajuda e orientação para fazer dar certo. Você pode até desistir, mas parem de tentar me convencer de que aleitamento materno exclusivo e fórmula láctea trazem os mesmos benefícios para o bebê. Leite materno é vida ... e é de graça.

Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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