Pródromos!


Um dos maiores desafios da obstetrícia atual é paciência. Vivemos numa era de informação instantânea, que nos dá a sensação errada de que todos os problemas também tem essa solução, como eu costumo dizer, a jato. Na gestação, parto e depois na vida de mãe as coisas não funcionam exatamente assim.

Especialmente quando você pretende um parto normal, não tem como prever ou organizar o nascimento - isso se chama cesariana eletiva. A família precisa controlar a ansiedade com a chegada das 40 ou 41 semanas, o pré natalista precisa controlar a sua ansiedade com a lista de gestantes com data provável de parto “estourando” e principalmente a paciente precisa estar focada no objetivo inicial - o parto - e não perder este foco.

É fundamental conversar sobre paciência, sobre trabalho de parto e sobre pródromos nas consultas de pré natal. Explicar o que pode acontecer, situações que requerem mais cuidado, sintomas mais comuns e até orientar - sem apavorar - sobre situações de urgência e emergência. As consultas de pré natal também servem para montarmos possíveis cenários e ajudam a tranquilizar a gestante e os familiares.

Em se tratando de paciência, dentro de uma evolução normal, óbvio, talvez um dos sintomas mais desafiadores seja o famoso “pródromo”. Que raios é isso? Simples, são contrações doloridas (chatas), mas que não caracterizam trabalho de parto ativo. Elas podem ter mais de um dia de duração, tiram o sono, a fome e a paciência. Por isso elas exigem da gestante, da família e da equipe obstétrica uma persistência gigante.

Numa era cesarista e imediatista, fica muito fácil encontrar alguém que diga “você está com dor há mais de um dia e o colo não muda, teu pente não abre, faz cesárea"; ou então “você tem contrações há horas e não está evoluindo, o bebê está sofrendo”; ou ainda, "porque você não marca logo uma cesariana e para de sofrer” - não é sofrimento, esqueça essa palavra pelo menos por 9 meses.

Pródromos são normais, não são previsíveis ou preveníveis, não tem tempo pré determinado de duração e não acontece com todas as gestantes. Algumas vezes são mais chatinhos (doloridos) outras não passam de um ou outra contração mais forte. O que define ou não a conduta é estar tranquila dentro do objetivo traçado ao longo dos 9 meses e, além disso, entender que enquanto mãe e bebê estiverem bem não é preciso ter pressa

O que caracteriza um trabalho de parto ativo são contrações regulares associadas a dilatação de 4 ou 5 cm, com colo favorável. Qualquer um destes fatores, isolados, não indicam necessidade de internação. É muito importante entender isso quando você tem pródromos prolongamos e já está chegando no seu limite. Tenha com quem conversar, leia sobre o assunto, compartilhe experiências. Você precisa de suporte emocional e muito foco.

Aliás, como eu disse no início do texto, a maior inimiga do parto normal é a pressa, ou a perda da paciência. Talvez você vá para o hospital mais de uma vez e seja liberada com as mesmas orientações. Ou talvez você sinta um pequeno desconforto e interne com 7cm. Não temos como prever como será a “sua hora”, mas posso garantir que manter o foco, ter uma equipe na qual você confie e um acompanhante de parto sintonizado na mesma frequência que você facilitam muito para termos um desfecho favorável.

Atenção, estamos falando de pródromos, com todos os outros critérios de internação normais. A gestante precisa ser avaliada como um todo. Este texto é para falar sobre contração/dilatação de maneira isolada. Temos outros motivos pelos quais a gestante pode necessitar de internação, mas agora eles não estão em pauta.


A foto foi autorizada pela Amanda, mamãe da Maria Sofia, que nasceu num parto lindo na última terça de madrugada. Amanda teve intermináveis pródromos de 3 ou 4 dias e nunca perdeu o foco, embora tenha ido para o Divina algumas vezes ao longo do final de semana.

Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

Obrigada pela visita!

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