Se pensarmos só no número, para uma pessoa adulta, na minha idade, 70 dias não é muita coisa. Talvez não dê para fazer muita coisa neste tempo. Porém, quando pensamos numa criança de 4 anos, 70 dias é uma infinidade de tempo. Foi este exatamente o número de dias que eu fiquei sem ver a Alice desde que começou a quarentena.

      Semana passada, tendo em vista que as previsões de voltar a normalidade não eram muito promissoras e as escolas ainda não tem data para reabrir, resolvemos dar um jeito nas nossas escalas de plantão (eu e o Thiago temos escalas de final de semana) e passar o final de semana com ela, lá na praia.

       Embora não seja 100% seguro, na sexta nós dois fizemos a sorologia para covid 19 e a noite fomos para Tramandaí. Durante o dia eu fiquei tranquila, mas conforme fomos chegando na praia eu comecei a ficar taquicárdica e com vontade de chorar. Era um misto de ansiedade com “segunda tenho que voltar” (sou das que sofrem na véspera) muito estranho.

      Não desejo a nenhuma mãe ou pai que fique longe do seu filho, por tempo nenhum. Não é natural que isso aconteça. Quando resolvemos mandar a Alice pra praia, com os avós e a bisa, imaginávamos que, no máximo (sendo pessimistas) ela ficaria um mês. Esse tempo, embora gigante, parecia ser tolerável. Passou um mês, dois, estamos indo pro terceiro e não sabemos quando tudo isso vai terminar.

      Alice sempre foi muito bem resolvida, decidida, cheia de personalidade, sem muita frescura e, relativamente, um pouco mais desenvolvida do que seus 4 anos no papel. Porém, a criança que nós mandamos para Tramandaí não é a mesma que nós vimos este final de semana. O vocabulário aumentou muito, as habilidades manuais se multiplicaram e a independência dá um pouco de angústia (cadê nossa bebê?). Sem contar nossa avatar cresceu demais.

     Felizmente, a quarentena, para a Alice, não terá nada de traumático. Exceto a saudade, que nunca vai passar e este tempo “perdido” para nós três, ela está ótima. Passei todo o final de semana agradecendo por termos a possibilidade de proporcionar pra ela esta passagem tão leve por tempos tão difíceis. Se eu pudesse desejar alguma coisa, queria que todas as crianças tivessem avós tão disponíveis quanto os dela e que fizessem da quarentena uma colônia de férias e não um isolamento.

       Se eu sinto falta? Óbvio, todos os dias. Perdi a conta de quantas vezes eu chorei ou então fiz planos para trazê-la de volta. Agora que nós fomos lá, parece que a saudade deu uma aliviada, mas a falta que ela nos faz aumentou. Ter noção do que estamos “perdendo” aumenta um pouco a sensação de perda.

       Foram e estão sendo dias muito complicados, mas não teríamos trabalhado com tanta segurança e tranquilidade se ela estivesse aqui. O que a Claudia e o Mário estão fazendo por ela não tem dinheiro no mundo que pague, é amor na sua forma mais pura. Só tenho a agradecer por ter pessoas tão especiais na minha vida e por Deus me dar a serenidade para entender o quanto este sacrifício é importante.

      Quando tudo isso passar, ou ficar mais fácil, menos restritivo, é importante que repensemos nas coisas que realmente importam, nos valores que queremos passar para os nossos filhos. Quem sabe trabalhar menos e viver mais. Talvez abrir mão de buscar alguns objetivos financeiros para curtir mais os filhos e a família. No final das contas, o amor é o que nos dá forças. Cultivá-lo é o que realmente importa.

 

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

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