Há 5 anos...

    Dia 30.08.2015, numa manhã de domingo, como hoje, eu vivi minha experiência mais desafiadora - SER PACIENTE - em todos os sentidos da palavra. Resolvi postar a história do meu parto para relembrar como foi e também porque agora, com a Alice fazendo 5 anos, eu percebo que algumas coisas mudaram. A vida é um constante "reajuste".

    Tudo começou no sábado a tarde - 29.08.2015 - fazia calor, um dia lindo. Eu fazia avaliação de 3/3 dias para confirmar que estava tudo bem e esse dia tínhamos uma avaliação (MAP - exame que marca batimentos cardíacos do bebê, sua movimentação e as contrações uterinas). Provavelmente a última do pré parto, pois até segunda a teimosinha teria que nascer.

     Chegamos ao Hospital no início da tarde, fui direto para o Centro Obstétrico (todo mundo alvoroçado apostando "no plantão de quem ela nasceria") colocaram o monitor - exame de livro - melhor impossível, Alice mexendo, tranquila. Já as contrações, nada. Depois do MAP meu médico me examinou e fez uma cara que, como obstetra, fiquei aliviada. Tipo assim "o colo era bom". Ele descolou as membranas, a meu pedido, e me mandou caminhar. Se nada acontecesse até o domingo, popular amanhã, induziríamos o parto.

     A 1h da manhã do dia 30 começaram as contrações. Levantei, fiquei caminhando pela casa, tomei banho, fiz agachamentos... Às 4h resolvi ir pro hospital fazer uma avaliação. Dilatação de 4cm, bebê ainda alto. Voltamos para casa e eu segui com os exercícios e o banho. Às 5:30 decidi ligar pro médico, que já estava acordado "se arrumando". A ida pro hospital foi hilária. Entre uma contração e outra eu ficava ótima, mas na hora da dor eu precisava me mexer, o que não era muito fácil dentro do carro. Entrei no Centro Obstétrico perto das 6h, andando de um lado pro outro e dizendo "estou em trabalho de parto, estou em trabalho de parto".

     Confesso que ser obstetra nessa hora é engraçado. Você sabe tudo que está acontecendo, mas não pode se meter na conduta. Precisa ser PACIENTE. Logo meu médico e "minha fada madrinha do parto", chegaram. Eu estava com 7cm de dilatação, contrações regulares, tudo muito bem. Foram 5h de trabalho de parto, com direito a analgesia, ocitocina, massagens nas costas, exercícios na barra e na bola, música e o mais importante, tudo acontecendo como eu sempre sonhei, ou melhor. Alice chegou depois do Dr Jair (anestesista) dizer “Fefê, só mais uma forcinha e ela sai”... e ela saiu, às 11h19min do dia 30/08/2015, de parto normal, com meu marido do meu lado cortando o cordão e participando de tudo.

      Sim, quando ela nasceu eu disse “eu consegui”. Ela era toda rosada, bolota, linda e eu estava muito feliz. Ela chegou ao som de "Sugar - Marron Five - que eu amo e tocou várias vezes. Minha recuperação foi super tranquila. Fui para o quarto umas 3 horas depois da Alice ter nascido, com ela, o Thiago e a minha mãe. Ela já estava mamando e eu não sentia quase nada de dor. Essa é uma das vantagens do parto normal, o pós parto, em geral, é mais fácil. Foi uma experiência indescritível, foi incrível. Sem dúvida a maior emoção da minha vida. Ter um filho é INCRÍVEL.

      Eu não tinha um plano de parto, só confiava nas minhas escolhas de Hospital, Equipe, Obstetra... Se eu tivesse escrito talvez não tivesse sido tão perfeito. Estar em trabalho de parto é algo que não tem como descrever, é preciso viver. Gestar é incrível, parir é incrível, mas gestar rodeada de pessoas que amamos, que nos dão suporte e ter um parto no Centro Obstétrico que eu escolhi, com as pessoas que trabalham comigo a vida toda e sempre me viram "do outro lado da cortina" foi demais.

      Nunca vou agradecer o suficiente por todo o carinho e dedicação, por todo o amor que eu e a Alice recebemos desde o dia que eu contei que estava grávida. Eu escolhi o obstetra perfeito, Dr Claudio Campello, que é tranquilo, atencioso, tem uma paciência invejável, respeitou todas as minhas escolhas, dando suporte e me aconselhando. Tive um pré natal, um parto e um pós parto muito bons. Além disso, ele me trouxe de brinde a Roseli, minha mãe de coração, que me ajudou a ter um trabalho de parto nem tão trabalhoso assim.

   "E a dor?".... Sim, teve dor, e que dor. Não sei quantificar, mas doeu. Porém, as contrações vêm para avisar que um grande momento está chegando. Confesso que não me lembro dessa dor e não estou mentindo. Não fiquei traumatizada, passaria por outro trabalho de parto, com toda certeza.

      Hoje, mais velha e vivendo mais o dia a dia do Centro Obstétrico nos plantões, eu percebo que a experiência de parto tem muito a ver com as nossas escolhas e com a forma como lidamos com as mudanças não planejadas. Ter um plano de parto é importante, mas aceitar que ele pode precisar ser alterada faz toda a diferença.

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Bem vindas!

Meu nome é Maria Fernanda, sou obstetra, mãe da Alice e aprendiz da maternidade. Sejam todos bem vindos ao meu blog!

 

Em 2015 eu vivi uma experiência incrível com a minha gestação. Estando do outro lado da cortina, pude entender melhor algumas dúvidas comuns entre as pacientes. Com isso, surgiu a ideia de fazer um blog. Através dele vou tentar fornecer informações que possibilitem uma gestação mais tranquila. Abordarei semanalmente assuntos baseados nas dúvidas do meu dia a dia no consultório e na minha vivência como gestante, puérpera e mãe. Recentemente eu decidi fazer postagens também com relatos de parto, para dividir as experiências vividas pelas mamães, contadas por elas.

Não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam do blog, dúvidas ou sugestões para os próximos posts. Se acharem que as informações são úteis, compartilhem e sigam nossas páginas no instagram (@blogacaminho) e facebook (fb.com/blogacaminho).

 

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